Não tenho dúvidas que vou precisar ler outras vezes este livro. Tento entender a mensagem que o autor tentou passar no contexto de suas outras obras, mas a única relação que vejo é pela representação de mulheres independentes, que não seguem os padrões de conduta da sociedade.
Gudrun e Úrsula já passaram um pouco dos 20 anos mas não pensam em casar. Úrsula dá aulas e Gudrun é artista. No primeiro capítulo elas se apaixonam, mas passamos a maior parte da história com os casais em formação, o que foi uma frustração. Se você esperava que tivesse um toque de matchmaker de Jane Austen, não tem.
Rupert Birkin e Gerald Crich se conheceram em um casamento, através de amigos em comum, mas se aproximam fazendo uma amizade inusitada. Birkin é um livre pensador, idealista que não acredita no amor. Crich é mais realista, industrial e romântico, mas também não acredita em casamento. Mas Ursula e Gudrun, respectivamente, parecem preencher seus ideais para uma experiência de vida indispensável.
Entre idas e vindas de desencontros furtivos, os casais se aproximam.
Para um livro com o título Mulheres Apaixonadas, o autor gastou muito tempo falando da forma de pensar dos personagens masculinos. Outro aspecto desconfortável foi o excesso de discursos depressivos, exaltando a morte como libertação para os sentimentos de angústia, típicos da insegurança natural dos relacionamentos.
Na primeira parte da história somos obrigados a conviver com uma personagem irritante, a Hermione, que interfere nos acontecimentos de forma onipresente. Ao mesmo tempo que retrata uma personagem feminista e empoderada consegue expressar uma total falta de sororidade, o que parece diminuir a vanguarda.
Lamento que não seja tão acessível edições de qualidade em português desta obra.
Para determinados públicos, esta obra se torna bastante representativa em função de alguns assuntos discutidos sobre comportamentos e relacionamentos.