O livro traz belíssimos textos introdutórios, dando uma noção muito clara de quem são o autor e a obra, seu momento e contexto cultural. Sentimos falta de uma análise mais profunda de seu impacto. Mas, ainda assim, são textos muito úteis. O primeiro nos entrega um panorama do pensamento de Agostinho que permite ao leitor menos familiarizado com a obra do bispo de Hipona uma perspectiva mais clara de sua influência na obra que haverá de ler logo adiante. O segundo texto mostra quem são os jansenistas e a importância de Jansênio para o reavivamento agostiniano da França setecentista.
Quanto ao texto, é de conhecimento popular que se trata de uma análise da tríade-cósmica joanina de 2 João 2:16. Jansenius busca condensar as lições agostinianas a respeito de cada uma e conclui conclamando os soldados de Cristo a pelejarem para reformarem suas almas e vencerem essas três categorias últimas das tentações. Isso faz com que o tratado possa ser classificado como um tratado não apenas religioso, mas de antropologia filosófica, psicologia (a psicologia do pecado) e até mesmo existencial.
Jansenius nos parece mais pessimista e mais ascético do que Agostinho - principalmente o Agostinho mais maduro. Além disso, embora a análise seja profunda, pareceu-nos longe de esgotar o ensino agostiniano a respeito. Mas a leitura nos foi muito útil para complementar algumas impressões das análises da tríade e comparar a nossa compreensão que temos tido nas leituras de Agostinho e dos agostinianos a respeito.
Jansenius declaradamente toma toda a obra de Agostinho como referência. Mas há constantes referência às Escrituras também. Portanto, basicamente, Agostinho e Bíblia são o quadro teórico de Jansenius.
Certamente é um livro que vale a pena ser lido por todo cristão. É edificante e ao mesmo tempo aprofunda nossa compreensão de nós mesmos, além de ser uma explícita exposição bíblica profunda de um único verso - e até de uma parte de um verso. Para o estudioso agostiniano é OBRIGATÓRIO! Não ler é um crime contra seus estudos.