A primeira vez que descobri Charles de Lint foi numa antologia de contos em que vários autores escreviam suas versões de contos de fadas. A forma como ele trabalhou a história dele me chamou tanta a atenção que fui atrás de mais, e assim foi que coloquei as mãos em The Very Best of Charles de Lint… e caí completamente de amores pelo estilo do cara.
Por esses dias, encontrei Seven Wild Sisters - uma das obras infanto-juvenis do autor - em promoção na Amazon, numa edição toda ilustrada pelo Charles Vess - de quem também gosto muito em razão dos trabalhos dele com Neil Gaiman. Não houve como resistir e lá fui eu comprá-lo.
A primeira coisa que tenho a dizer sobre esse livro: ele é lindo. Sério, eu fiquei apaixonada pela delicadeza das ilustrações e pelo universo que elas nos revelam. As ilustrações são todas coloridas, a qualidade do papel é muito boa e fiquei feliz da vida com minha aquisição, porque comprei uma edição muito bem trabalhada pelo preço normalmente atribuído às edições mass market, de papel fino e sem cores.
A história segue Sarah Jane - uma das sete irmãs do título -, que se torna amiga de uma senhora idosa vizinha no vale em que moram. Com tia Lillian ela aprende a cuidar da terra, descobre as histórias de fadas e, por um ato de compaixão, termina se colocando em meio a um feudo entre a corte das fadas abelha e os homens das nogueiras.
Seven Wild Sister tem um enredo simples, mas confortável e satisfatório na maneira como se desenvolve. Adoro a forma como de Lint trabalha o folclore com a modernidade, como ele consegue fazer o extraordinário se tornar algo mais próximo e mais crível. As personagens, com ênfase nas sete irmãs, são interessantes - e mais de uma vez me peguei pensando em como esse era o tipo de livro que eu gostaria de ter lido quando criança, como Sarah Jane é o tipo de heroína com quem eu teria me identificado.
Com toda a tensão que existe a partir do momento em que entramos no universo das fadas, levados pelo Homem da Macieira, é impossível deixar de sorrir toda vez que Lil’ Pater - um dos gatos da floresta de Tanglewood - surge. Lil’ Pater se insere na melhor tradição do Gato de Botas e o gato Cheshire e rouba a cena sempre que aparece.
Ao terminar esse livro, fiquei com muita vontade de ler a história da tia Lillian ainda jovem, que é contada em The Cats of Tanglewood, bem como me aventurar pelas histórias adultas do autor, com sua linguagem vívida e musical, sua atmosfera de conto de fadas e seu conhecimento de mitologia e folclore.