Apesar de a série ser denominada Família Penword em referência à nobre família inglesa que a protagoniza, parece que a intenção da autora era mesmo dar destaque às mulheres espanholas, tão diferentes das recatadas senhoritas inglesas.
Neste volume da série, o leitor conhecerá Isabel, uma nobre espanhola que, conduzida por trágicas circunstâncias, viaja com uma criança nos braços para Inglaterra, diretamente para Redtower, nas cercanias da propriedade dos Penword. Seria tudo muito simples se o menino fosse tudo que ela levasse na bagagem, mas a verdade é que a jovem carrega consigo a ponta que desfará uma teia de mentiras que começou a ser tecida muitos anos atrás, as quais tenta encobrir contando uma infinidade de outras inverdades. Nunca vi uma mocinha tão mentirosa, rsrsrsrs.
“— Desejo uma conversa privada com Dom Velasco. — Maria olhou com surpresa à moça que se mantinha em uma atitude desafiadora sem baixar a guarda, e se perguntou por que seus olhos se mostravam receosos.”
Em Redtower, ela conhecerá Jamie, o mais calmo e sensato dos irmãos Penword. Eu estava bastante curiosa sobre a história dele, que foi o pivô de muitos desentendimentos entre o irmão e sua esposa no volume anterior. Confesso que senti falta da obstinação de Justin, o irmão mais velho. Apesar de Isabel conseguir fazer Jamie sair do sério algumas vezes, a calma e sensatez dele é realmente de testar os nervos. Porém entendi perfeitamente os caminhos da autora, já que as atitudes do jovem nobre casavam com seu temperamento. Ou seja: os arcos narrativos foram coerentes. Não sei o que seria desse casal sem a intervenção da cigana Eulália, que neste livro continuou aprontando das suas.
“Jamie soltou o fôlego pouco a pouco, tentou sujeitar seu coração que começara a saltar de forma irregular, suas vísceras se retorceram ao contemplar o olhar irado dela.”
Achei o casal interessante, mas o conflito entre eles, confesso, não foi muito instigante para mim; eu esperava mais. O ponto forte da história, em minha opinião, não foi o casal, mas as tramas políticas envolvendo a família de Dom Velasco, conde de Ayllón, e os mistérios do passado da vida dele, que realmente são muito instigantes. Queria muito uma história sobre Rodrigo, esse indômito conde espanhol! Apenas achei que essas tramas políticas poderiam ter sido mais exploradas, pois muitos detalhes não ficaram claros para mim (eu e minha mania de ser detalhista, rsrsrs).
A autora continuou me encantando com suas fabulosas descrições e eu novamente me senti viajando pela Europa do século XIX. Gostei do livro e agora estou ansiosa pela história da “banda” escocesa dos Penword. Brandon, sua juba de leão e aquele temperamento fascinante que me aguardem!