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    Os sertões

    Euclides da Cunha

    L&PM Pocket
    2016
    648 páginas
    21h 36m
    ISBN-13: 9788525433381
    Português Brasileiro
    3.9
    13 avaliações
    Leram35Lendo1Querem34Relendo0Abandonos3Resenhas1
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    No árido arraial de Canudos, no sertão baiano, organizou-se, em meados da década de 1890, uma comunidade de pessoas pobres, seguidoras do líder religioso Antônio Conselheiro. Estima-se que tenham chegado a 25 mil indivíduos. Era uma sociedade à margem do Estado baiano e da jovem República brasileira. O descumprimento de pequenas leis e o descontentamento com questões relativas a impostos provocaram a ira do governo, que respondeu enviando tropas – estaduais e a seguir federais – para esmagar o povoado. Euclides da Cunha (1866-1909) visitou o palco do conflito em 1897 como correspondente do jornal O Estado de S.Paulo. Até então, a notícia que se tinha do longínquo embate era de sertanejos selvagens, fanáticos religiosos e antirrepublicanos. Após retornar ao centro do país, Euclides redigiu a maior parte do que viria a ser Os sertões, publicado pela primeira vez em 1902. Decorrido mais de um século de sua publicação e da Guerra de Canudos, esta obra peculiar e grandiosa, misto de reportagem de guerra, ensaio documental-histórico e libelo político, continua sendo um texto fundamental para se entender o Brasil de ontem e de hoje.

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    Filino Carvalho Neto picture
    Filino Carvalho Neto10/05/2016Resenhou um livro
    0

    Documento, romance, tragédia... uma verdadeira saga brasileira/sertaneja

    Desnecessário dizer que se trata de uma das mais importantes obras da literatura brasileira, mesmo porque até mesmo quem nunca a leu já ouviu algo a respeito. Trata-se de um livro extenso não apenas no número de páginas, mas também nos detalhes: a primeira parte, em particular, desce a minúcias relativas ao terreno da peleja (e também sobre o relevo brasileiro), utilizando um linguajar que pode desanimar o leitor não muito afeito a considerações geológicas com um vocabulário do início do século XX. Vencido esse obstáculo (no que o leitor é ajudado a superar com diversas notas de rodapé que auxiliam um bocado na compreensão do texto), deparamo-nos com uma história riquíssima e extremamente detalhada (o autor cita, até, a formação dos regimentos que se bateram com os sertanejos). Diversos momentos sangrentos e curiosos permeiam o livro. As passagens sobre a vida de Antônio Conselheiro, as origens de sua família, bem como do próprio povo que convivia (e ainda subsiste) num cenário tão adverso como o sertão nordestino chamam bastante a atenção. Curioso notar que o autor trabalha com categorias que remetem à ciência dos séculos XIX e XX e, hoje, talvez estejam ultrapassadas. Até de "raça" o leitor vê tratar a obra. No entanto, embora isso pareça ser um demérito, não é. Trata-se de um livro escrito numa determinada época, sim, mas isso não o torna "datado", ultrapassado: é um registro e tanto de um episódio sanguinolento da nossa História, que adquire contornos de denúncia sob a pena de Euclides da Cunha, alertando-nos também sobre até que ponto chegam, por exemplo, o messianismo e a histeria política.

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    Euclydes Rodrigues Pimenta da Cunha

    Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha (Cantagalo, 20 de janeiro de 1866 — Rio de Janeiro, 15 de agosto de 1909)foi um escritor, sociólogo, repórter jornalístico, historiador, geógrafo, poeta e engenheiro brasileiro. Estudou na Escola Politécnica e na Escola Militar da Praia Vermelha, tendo uma breve carreira militar. Em 1897, tornou-se jornalista correspondente de guerra e cobriu alguns dos principais acontecimentos da Guerra de Canudos, conflito dos sertanejos da Bahia liderados pelo religioso Antônio Conselheiro contra o Exercito Brasileiro.

    41 Livros
    120 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Euclydes Rodrigues Pimenta da Cunha