Passageiro Clandestino - Diário de vida

    Leonor Xavier

    Autêntica
    2015
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788582177754
    Português Brasileiro

    Leonor Xavier mostra como é possível fazer de um “sombrio assunto” motivo de fruição estética para o leitor. Nessa viagem que a autora realiza para dentro de si mesma, a partir do momento em que percebe ter sido invadida por um corpo estranho, o que mais impressiona, além do infausto episódio que deu origem ao livro, é a qualidade da linguagem com que narra a experiência vivida. Leonor Xavier mostra como é possível fazer de um “sombrio assunto” motivo de fruição estética para o leitor. E é aí que sua narrativa deixa de ser um registro factual, um relato jornalístico, para ser literatura. Quem já passou por isso, como eu, sabe como é difícil expressar as nuances e variações desse turbilhão de sentimentos despertados por uma situação-limite em que é inevitável a perspectiva da morte. Como recomendava João Cabral de Melo Neto, ele mesmo o melhor exemplo do que aconselhava (“Sem perfumar sua flor/ Sem poetizar seu poema”), Leonor não dramatiza seu drama. O câncer abala, desestabiliza, mas não consegue tirar dela o otimismo, a esperança nem o bom humor, usado na medida certa. Nem quando recebeu por telefone o “veredito”, em meio a um almoço com amigos, “não calei nem disfarcei, nem apaguei a notícia”. Apenas disse em voz baixa para alguém a seu lado: “Estou com um câncer”. Esse é o estilo de Leonor, que abre mão das hipérboles, das exclamações e dos espantos retóricos. Em suma, Passageiro clandestino é o livro sobre um mal, mas que faz bem a quem o lê. Espero que tenha acontecido o mesmo a quem o escreveu com tanto talento e sensibilidade.

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    Amiga da Leitora20/04/2016Resenhou um livro
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    Diferentemente dos livros com temáticas tocantes, tais como diagnóstico de alguma doença grave, narrados por um personagem fictício em uma realidade fictícia, 'Passageiro Clandestino' põe em questão a verdadeira realidade vivida por uma senhora cujo da vida recebeu uma provação, um corpo estranho se alojando dentro do seu próprio corpo, 'coisa' a tal mudara sua vida de maneira alarmante, o corpo que consome corpos ou popularmente dizendo, um câncer. Dentre os diversos gêneros literários existentes, biografias e relatos de vida são dois dos quais fico instigado e ao mesmo tempo ''com o pé atrás'', pois ter contato com uma história real pode de diferentes maneiras atingir o leitor, mexendo com suas emoções e reflexões, causando boas impressões ou não. Ao eu meu ver, biografias são mais adquiridas por fãs cujo seu astro partiu dessa para melhor, por pensadores contemporâneos que buscam suporte de inspiração à suas ideias, e também por colecionadores grandes conhecedores da política e arte moderna; esses tipos de leitores que citei formam juntos um conjunto de admiradores dos grandes astros que marcaram história e deixaram um legado; aqueles que ficam boquiabertos ao ver tamanha superação e coragem daqueles que passaram por momentos difíceis que muito foram julgados por publicar a quem de boa vontade quiser ter contato com sua história de vida; resumindo Biografias não são muito populares pois requerem sentimento e atenção para que as histórias não passem em vão e acabem apenas por escritas em folhas de papéis sem ao menos ensinar uma lição. Mas afinal, o que me me chamou atenção neste livro? Todo o conjunto da obra, não é uma história clichê mas sim, relatos reais de como é passar por uma doença grave que pode te tomar a vida, até então eu não conhecia nada sobre a autora Leonor Xavier e creio que esse motivo colaborou de certa forma em minha vontade de saber mais sobre a história de superação dela, na real não consigo te dizer qual foi o ponto forte que me instigou a fazer a leitura, apenas aconteceu. Demorou um tempo até que o livro chegasse em minhas mãos, mas quando finalmente chegou eu o finalizei em 1 dia e cá estou para comentar um pouco com vocês. Neste livro conhecemos um pouco mais sobre a escritora portuguesa Leonor Xavier que em certo momento de sua vida foi diagnosticada com um câncer, mas que diferentemente do esperado ela passa por essa fase de modo diferente, não se abalada e não se deixa derrubar, este mal não toma dela o otimismo e sarcasmo, características que a representam, ela não esconde e diz a qual curioso quiser saber sobre seu diagnóstico, sabemos que esta doença é como um terremoto que de repente chega e desestabiliza todo o 'terreno', traz ondas de depressão, dramas, dores e falsas preocupações vindas de certas pessoas, mas Leonor uma mulher vivida e sabida nos mostra 'na lata' o dia a dia da batalha contra a enfermidade; é como dizem: ''Todo mal tem um lado bom''. Assim como a autora, a narração é em Português (Portugal), então a estrutura e vocabulário no início eram confusas e de demorado entendimento, mas não há grandes diferenças comparando com o nosso Português. A leitura não é leve e nem chega perto disso, convenhamos, mas pode vir ser útil e de grande lição para aqueles que de alguma forma precisam de um direcionamento para uma profunda reflexão.

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