Primeiramente, não se deixem enganar por essa capa fofinha, típica de romance adolescente água-com-açúcar. O conteúdo desse livro é tudo - TUDO - menos isso. O que a capa tem de meiga, ele tem de avassalador.
A sinopse também revela muito pouco a respeito da história e acaba não nos preparando pro que virá em seguida. Antes tivesse preparado. Confesso que comprei "A substituta" por puro impulso, porque estava com uma mega promoção no estande da editora, na bienal.
Não tendo lido ainda nem 10% do que trouxe do evento, me atrevo a dizer que essa foi uma das minhas melhores aquisições, considerando o custo-benefício. E que benefício, vamos combinar.
Durante o tempo que li, me peguei imersa na narrativa, completamente viciada, avançando bem rápido e lutando contra o sono pra conseguir "ler só mais um capítulo".
O livro aborda não apenas o câncer, mas também o pós-câncer. Mostra, com uma realidade impressionante, como a doença afeta a vida das pessoas ao redor e como lidar com a dor da perda de quem amamos. Como se não bastasse toda essa carga emocional, a autora ainda brinca com as palavras, incluindo temas polêmicos, como drogas, alcooolismo e depressão. E, pra quem pensa que essa combinação é impossível dar certo em apenas 217 páginas, leia o livro.
Aliada à maestria da escrita leve e fluída, a Clara conseguiu, em seu romance de estreia, amarrar muito bem os acontecimentos e não deixou aquela sensação de "Ué, mas e fulano? Que fim teve?". Muito pelo contrário. Personagens que eu já tinha até esquecido, tiveram seus desfechos revelados.
É impossível escolher apenas um momento que gostei mais do que os outros, porque, a cada cena, algo novo acontecia e me tirava o fôlego. Eu mal me recuperava de um baque e lá vinha mais um punhado deles nos capítulos seguintes. Pra quem só acredita no amor romântico, as lições ensinadas sobre família e amizade são um verdadeiro tapa na cara.
Lembro ter dito em uma resenha há alguns dias que tinha grande esperança e apreço pela literatura nacional. Esse livro é a prova de que bons autores brasileiros existem sim, basta procurar. Mas, se você preferir julgar e não der a chance que eles merecem, perderá a oportunidade de saborear romances maravilhosos como esse. E, sinceramente, o único a sair perdendo vai ser você, meu amigo.
Ah! Nota 5, sem sombra de dúvida.