Sabe aquele velho ditado segundo o qual os melhores perfumes vêm nos menores frascos? Então. Este livro tem 48 páginas e mede 12 x 18 cm: é uma pérola, um diamante, uma lágrima de virgem, uma gota de sangue santo: insira aqui seu milagre de estimação.
Nas seis páginas iniciais, temos a reprodução da conversa telefônica entre o ganhador do Nobel de Literatura de 2010 e o membro da Academia Sueca que entrou em contato para dar a notícia sobre o prêmio. Nas trinta páginas restantes, o que lemos é o discurso que MVL proferiu em Estocolmo por ocasião do recebimento. E, gente... Que discurso!
Se você é do tipo que interage fisicamente com o texto, aponte os lápis e se prepare para sublinhar em grande escala, ou compre um pacote (grande) de marcadores adesivos, pois raríssimo será o parágrafo que não mereça algum tipo de destaque.
Sempre relacionando o tópico à literatura e à sua paixão por ela, MVL relembra a ocasião em que aprendeu a ler, o que isso significou e por quê; conta sobre o período que viveu em Barcelona e em Paris, e o modo como viver longe do Peru o aproximou da terra natal; critica o nacionalismo, a religião, a política, os regimes tirânicos, os conflitos armados e outras mazelas humanas. No cerne de tudo está a prosa de ficção como inspiradora, redentora, ferramenta e antídoto.
Parei de assinalar os trechos mais importantes quando me dei conta de que o exemplar estava ficando inteiro sublinhado. Recomendo enfaticamente a todos para quem a literatura é asa e raiz.