Seis Ferramentas Para o Desenvolvimento de Um Texto -

    Alex Giostri

    Giostri
    2015
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788560157754
    Português Brasileiro

    A vida moderna nos leva às formas, às regras, aos manuais, como se o "correto" existisse. Não que não exista. Naturalmente, o tradicional tem a sua importância, mas no fim das contas e no universo das artes e da criação o que vale é a competência e aptidão de cada criador, de cada artista. Neste sentido, o que podemos pensar é que devem ser estudadas as formas, as regras, e também os manuais. No entanto, é na compreensão do todo, de todas as literaturas possíveis, é na vivência interna e externa de cada indivíduo que se estabelecerá a visão de mundo, consequentemente, dessa maneira de ver e viver a vida se dará o autor e tudo o que se quer contar. O melhor caminho para todo e qualquer autor é primeiramente adquirir a cultura de base, a informação, é ter um claro entendimento de que a sua matéria-prima é o humano e por isso o seu olhar deve ser o mais puro possível. Se o autor estiver plastificado em sua bolha julgadora e dona da verdade, o mesmo não poderá acessar o outro lado da história. E quem perderá por fim será o leitor, afinal não se lê apenas livros, pessoas podem ser lidas também.

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    Krishnamurti Góes dos Anjos18/06/2016Resenhou um livro
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    Ficção: seis ferramentas para o desenvolvimento de um texto

    Ficção: seis ferramentas para o desenvolvimento de um texto Por: Krishnamurti Góes dos Anjos Hoje é consenso que a literatura tem caminhado cada vez mais para as facilidades da publicação, seja pelos meios tradicionais (obra impressa sob demanda o que reduz consideravelmente o custo da edição), seja a publicação na tal da virtualidade da internet (blogs, sites de literatura, revistas digitais etc.). Como consequência – mas não somente por isso, tem havido um aumento do número de escritores nas últimas décadas. Todos querem ser lidos e vistos e já é possível a qualquer pessoa publicar o que quiser, sem o crivo de nenhum editor. Neste vale-tudo midiático, não há como negar, surgem aqui e ali textos de qualidade literária que apresentam elaboração linguística, originalidade e coerência textual, assim como despontam outros sem o amadurecimento necessário, o que denota que a autocrítica passou ao largo. Resulta disto uma avalanche de obras de qualidade duvidosa. Agora, eis que o escritor e editor Alex Giostri lança a obra Ficção: seis ferramentas para o desenvolvimento de um texto (Editora Giostri – São Paulo, 2015. 127p.), que servirá, em boa medida, de referência prática para aqueles que se lançam na vereda literária, e o fazem com vistas a evoluir. Tratasse de uma proposta (em linguagem bastante acessível), de refletir sobre o processo criador da ficção. O autor elenca e analisa seis ferramentas que são essenciais ao processo de bem contar uma história: O fundamento da história / O conflito da história / A personagem / A ambientação / O tempo da história e o seu fim. Com exemplos e comentários embasados em trechos de obras literárias nas quais cada uma das ferramentas se evidencia, Giostri lembra ainda que não há regras absolutas no universo da criação. “E esse é um dos ideais dessa obra com as seis ferramentas: possibilitar a reflexão a partir de alicerces básicos. Nenhuma das ferramentas apresentadas na obra pode se ausentar de uma trama, mas a maneira que cada autor encontrar para bem usá-las será a melhor maneira, uma vez que estamos no campo da criação e o que vale é toda e qualquer obra que dê certo”. E vai mais além e com maior profundidade de análise quando alerta: “Contar histórias não é sentar e escrever. Contar histórias é o resultado de muitos anos de leitura (grifo nosso), de muitas reflexões sobre maneiras de contar algo.” E, sobretudo ter em mente que, “ao se declarar autor de ficção o indivíduo faz um pacto com a vida uma vez que os seus olhos passarão a trabalhar ininterruptamente por ser o humano a matéria prima de seu ofício. E se olhar, perceber, observar, compreender, é o seu ofício, ele assim viverá dia e noite, noite e dia, e isto lhe dará armas para a criação.” Para além da análise dos aspectos formais da criação literária – as seis ferramentas apontadas -, a maior contribuição desta obra é no sentido de entender a produção da ficção como a descoberta de nosso universo interior onde estão armazenados e transfigurados os produtos de nossa percepção sensível e emotiva da realidade ambiente. A arte literária assim concebida não fica rebaixada a uma forma banal de entretenimento como o quer o nosso mundo globalizado, que reduz tudo ao nível do medíocre. O livro de Alex Giostri vem dar positiva colaboração para uma visada mais autentica que devemos ter da literatura e seu processo criador: Uma forma de conhecer o mundo e os homens. Uma Arte dotada de uma importante missão; concorrer para o desvendamento daquilo que o homem conscientemente ou não, persegue durante toda a existência, o esforço continuado de conhecimento, superação e libertação.

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