Dentre os principais autores do ciclo da borracha, Quintino Cunha se distingue em virtude de uma poética absolutamente singular, que o diferencia, por exemplo, de Maranhão Sobrinho e de Jonas da Silva. O livro Pelo Solimões, de 1907, que apresenta bons e maus momentos, é repleto de um telurismo em vários momentos negado; reconhece-se romântico, sem ignorar os postulados dos estéticos parnasianos; não despreza a ciência, porém admite a religião como ensinamento fundamental para o homem. As contradições que apresenta não são as que se afirmam como antíteses, figura que dá vigor à produção lírica, mas aquelas que o indiciam como um autor perdido em sua própria construção, sem saber qual o caminho a seguir nas bifurcações que se lhe aparecem. O racionalismo próprio à mentalidade positivista transparece na estrutura que, conscientemente, foi programada para o livro. Alguns esclarecimentos dados pelo poeta confirmam o propósito que teve de realizar uma unidade específica e evolutiva. Na nota em que nos explica a primeira parte, intitulada "O Firmamento", temos exemplo cabal de suas intenções, quando esclarece que o céu aí posto é metáfora da juventude da vida e "retrato fiel de minha adolescência literária". [uma orelha do livro..]
Pelo Solimões (Resgate #12) - (Versos norte-brasileiros)
Quintino Cunha
Valer
1999
264 páginas
8h 48m
ISBN-10: 858651215X
Português Brasileiro
Edições (1)
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