Um Deus menos que soberano teria medo de facultar às Suas criaturas a capacidade e habilidade necessárias de resisti-lo livremente, visto que poderia enxergar tal liberdade humana como uma séria ameaça ao Seu governo hegemônico divino. Entretanto, e, felizmente, os seres humanos não são meros peões em um jogo de xadrez cósmico, cujo querer é dobrado inexoravelmente pela inflexível vontade do enxadrista divino. Em termos soteriológicos, o Deus retratado na presente obra arminiana não coage, persuade. Não força, convence. Não violenta, argumenta. Não arromba a porta, toca a campainha. É por essas razões que recomendamos a leitura de Graça Resistível, do professor Zwinglio Rodrigues, portanto as suas páginas desfazem o mito muitas vezes difundido segundo o qual, Deus, para ser soberano, deve necessariamente impor-se às pessoas. Carlos Augusto Vailatti (Batista, hebraísta e teólogo)
Graça Resistível (Coleção Arminianismo #5) -
Zwinglio Rodrigues
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A presente obra, nos seus seis capítulos escritos por Zwinglio Rodrigues, trata do quarto artigo da Remonstrância, a Graça Resistível. Segundo essa doutrina, é possível o ser humano resistir a graça salvadora de Deus, diferentemente da sua rival calvinista (Graça Irresistível) que ensina a impossibilidade de tal resistência. Inicialmente são trabalhados os conceitos das palavras bíblicas, tanto no Antigo Testamento (hesed e hen) quanto no Novo Testamento (charis), que são traduzidas por graça. Aqui o autor elucida o significado de cada palavra levando-se em consideração o seu contexto. No segundo capítulo é feita uma descrição teológica das diversas operações da graça: graça preveniente, graça suficiente, graça eficiente, entre outras. No entanto o autor deixa claro que “não há aqui uma fragmentação da graça, mas a compreensão da existência de uma graça e seus mais diversos modos de operacionalidade”. O autor prossegue no seu terceiro capítulo fazendo algumas importantes considerações sobre a graça no pensamento teológico de Jacó Armínio. Além de definir o que é graça, o autor enfatiza a antiguidade dessa linha de pensamento, bem como trata de refutar as acusações feitas contra a doutrina da Graça Resistível. No capítulo quatro, o autor explica a Graça Resistível, salientando que ser humano algum é “arrastado a aceitar a graça divina”. Armínio nega a irresistibilidade da graça porque esse modo de operação não faz jus às Escrituras. Outro ponto de destaque é o testemunho dos primeiros pais da Igreja que defenderam a possibilidade de se resistir a graça de Deus. No entanto, a crença na resistibilidade da graça divina não quer dizer que se defenda a salvação pelas obras. A graça de Deus é independente de qualquer eventual obra realizada pelo receptor. A única participação humana é receber o dom gratuito de Deus. O capítulo cinco trata da análise de alguns versículos que dão suporte à doutrina da Graça Resistível. As análises são sucintas, porém bem referenciadas por grandes obras de eruditos bíblicos. E por fim, no sexto capítulo, é realizado um estudo de caso a partir da rendição de Saulo de Tarso no caminho de Damasco. O autor analisa se a graça de Deus foi resistida ou não. O livro é objetivo e bem didático. Ao final de cada capítulo há atividade de aprendizagem para o auxilio do leitor. Vale a pena destacar também o uso de imagens, diagramas e esquemas ao longo do livro que, sem dúvida, tornam a leitura mais agradável. Mais um ótimo livro publicado pela Editora Reflexão.
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