Os desafios do Homem de Aço sempre tiveram proporções globais, com risco de extinção eminente para a humanidade. Não é diferente em Transilvânia (2002), porém a escala é um tanto peculiar, e a humanidade em risco pode ser encontrada nas sessões de filme da meia noite.
Na trama, Superman é enviado pela Casa Branca para investigar uma estranha criatura detectada em uma instalação secreta desativada. Chegando lá, descobre que o lugar esta sendo ocupado pelo cientista louco Dabney Donovan, que literalmente criou um planeta em miniatura, batizado de Transilvânia. Se não bastasse, o povoou com monstros inspirados em filmes de terror Vampiros, lobisomens, Frankensteins, múmias, zumbis...
Na clássica relação criador/criatura, os dois recebem um convite pouco amistoso dos habitantes do planeta Transilvânia e, através de uma máquina de miniaturização, embarcam em uma jornada por um filme de terror.
A trama levanta questionamentos interessantes. Donovan é visto como Deus pelos monstros que são, quase em sua totalidade, bem organizados socialmente, ainda que as tribos diferentes estejam em guerra. Sendo assim, quem tiver Deus do seu lado tem uma grande vantagem estratégica sobre o inimigo. Enquanto Donovan, o humano comum, é imponderado, Superman se vê com os poderes reduzidos, o que rende bons momentos dignos de Transilvânia (em determinado momento, Superman e Donovan se veem diante de um ataque zumbi, por exemplo).
Entre aliados eventuais e ameaças potenciais, Superman se vê diante de um embate filosófico. Teria o cientista o direto de dispor sobre a vida daquelas criaturas, só porque as criou?
Transilvânia pode não ser a mais clássica história do Homem de Aço, mas é uma leitura indispensável para fãs do personagem, e fãs do bom e velho cinema de terror. Também é uma porta de entrada para que leitores eventuais saibam o quanto o Superman é legal.