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    O Caminho dos Excessos -

    Zeka Sixx

    Edição do Autor
    2015
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-13: 9788591823000
    Português Brasileiro
    3.7
    6 avaliações
    Leram7Lendo0Querem12Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados12Avaliaram6

    O Caminho dos Excessos, livro de estreia de Zeka Sixx, reúne trinta e dois contos que retratam uma obsessão por um estilo de vida que deixa marcas indeléveis em seus seguidores. Uma interminável sucessão de orgias, bebedeiras, ilusões e emoções baratas. Uma eterna busca pelo que há de selvagem, caótico e, contudo, previsível na alma das pessoas. Um passeio embriagado e trôpego por sobre a tênue linha entre o satírico, o lírico e o épico. Fluidos corporais, órgãos genitais, musas, anjos-demônios, cavalos, fogo, pornografia, seres mitológicos, amor, dor e desespero se fundem em um guia de depravação que nos leva, apesar de tudo, a manter sempre um sorriso cafajeste no rosto. O Caminho dos Excessos é uma obra para todos aqueles que acreditam no instinto sobre o raciocínio, no estilo sobre o conteúdo e no excesso como virtude.

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    Janaína Lauxen picture
    Janaína Lauxen30/06/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Caminho dos Excessos: Fazendo a Diferença

    Enquanto escritora, editora e, principalmente, enquanto leitora, tenho observado um fenômeno desconcertante acometer a literatura nacional: o processo de politização obediente dos novos escritores brasileiros. Muitas vezes tenho a impressão de que a nossa produção literária cortou o cabelo, fez a barba, colocou sapatos de couro, terno, gravata, e agora é o genro que mamãe pediu a Deus. E, sabem: isso me incomoda. Profundamente. Porque, em minha opinião, a literatura que não lhe sacode; que não lhe tira do lugar onde você confortavelmente está; que não lhe faz repensar; que não desconstrói e bagunça; que não coloca o dedo na ferida e chafurda; é uma literatura inofensiva – logo, irrelevante. Os livros e autores que me conquistaram, e me fizeram compreender o poder da literatura na formação política e social de qualquer cidadão, falavam de sexo, de drogas, de dor, de vida, de desespero – e não de dragões, fadas e gnomos. Por esta razão, foi com receio – porém com uma sutil esperança – que peguei em mãos a obra O Caminho dos Excessos, do escritor gaúcho Zeka Sixx. O livro, lançado de forma totalmente independente, nada deixa a desejar em relação às publicações de grandes selos editoriais: a obra possui um projeto gráfico primoroso, impressão de extrema qualidade, e uma ilustração divina e fortemente convidativa em sua capa, de autoria do desenhista Asdrubal Fabris. No entanto, é no conteúdo que O Caminho dos Excessos mostra a que veio. O livro reúne trinta e dois contos autênticos e audaciosos, que versam sobre uma vida perturbadoramente familiar, repleta de exageros e insuficiências. As drogas, o sexo e o ímpeto (auto) destrutivo, inerente a todos os seres humanos, estão lá. Mas também há cólera, há dor, há conflitos pessoais, emocionais, sociais, e um desejo constante e irrefreável de tirar da vida o que a vida tem de melhor e mais imaculado. Aquilo que será capaz de saciar nossa fome e nossa sede de tudo o que não podemos comer e nem beber. Os contos são todos escritos em primeira pessoa, de modo que se colocar no lugar dos personagens torna-se tarefa simples, apesar de desconfortável. Simples, porque reconhecer-se em seus sentimentos e aflições é natural, uma vez que nossas amarguras e pretensões são mais parecidas do que gostaríamos que fossem – por esta razão, a identificação é espontânea. Desconfortável, porque O Caminho dos Excessos nos coloca em contato com um lado de nossa personalidade que nem sempre queremos enxergar; que dirá assumir. Falo daquela parte insaciável, geniosa, faminta e constantemente sedenta, que nos faz sentir um vazio dolorido todo dia. O que também colabora para que tenhamos mais indulgência no momento de questionar, e até mesmo condenar, os personagens inventados (ou deveria dizer retratados?) por Zeka Sixx. As decisões e atitudes que tomam, por mais duvidosas e cruéis que nos pareçam, poderiam perfeitamente ser as nossas atitudes e decisões – e talvez só não sejam porque ainda não tivemos coragem de olhar para dentro, fechar os olhos, e se deixar mergulhar no poço sem fundo que somos. Zeka Sixx não parece ter medo de ser julgado pelo que escreve, pelo que acredita, e muito menos pelo que vive e experimenta. O que dá vida própria para sua literatura, além de personalidade, legitimidade e força. Não há em O Caminho dos Excessos qualquer tentativa de adequação – bem pelo contrário. É a inadequação, e um certo desajuste existencial, quem dá o tom e a cadência da obra, que gera ao mesmo tempo reconhecimento e desconforto; empatia e repulsa; enternecimento e fúria. Zeka bagunça nossos sentimentos, e nos faz conhecer sensações das quais costumamos fugir. Por medo e por conveniência. O Caminho dos Excessos é uma grata e pervertida surpresa em uma época de literatura industrializada, pasteurizada e irritantemente comportada. Zeka Sixx despenteou o cabelo, rasgou o terno e a gravata, jogou os sapatos de couro no lixo, e está deixando a barba crescer outra vez. Porque ele sabe que a literatura que não confunde, que não questiona, que não sacode até os ossos, não faz a menor diferença. E Zeka Sixx simplesmente se recusa a não fazer a menor diferença. Ainda bem.

    1 curtida

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    3.7 / 6
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas17%
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    Zeka Sixx

    Zeka Sixx é gaúcho, nascido em 1983 e mora em Porto Alegre. Além de escritor, é advogado e trabalha como DJ nas horas vagas. Estreou na literatura em 2015, com o livro de contos "O Caminho dos Excessos", publicado de maneira independente. O conto "Impressões", presente no livro, foi adaptado para o curta-metragem intitulado "Mímesis", dirigido por Francisco Antunes e financiado com recursos do Fumproarte. Em 2016, lançou seu primeiro romance, "A Era de Ouro do Pornô", pelo selo Erotica da Editora Multifoco. Este livro ganhou uma segunda edição em 2021, pela Saraquá Edições. Em 2020, publicou o romance "Tudo o que Poderíamos Ter Sido", pela Editora Coralina. No mesmo ano, participou da coletânea "Carazinho Por Escrito", publicada pela Editora Os Dez Melhores, com o conto intitulado "Garota Perdida Procura". Em 2023, lançou seu mais recente livro, o romance "Não se Começa um Incêndio sem uma Faísca", pela Editora Penalux, com texto de orelha assinado pelo escritor e dramaturgo Mário Bortolotto. Seu estilo é desbocado, vulgar, por vezes pornográfico, mas ao mesmo tempo cômico, poético e delirante.

    4 Livros
    6 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Zeka Sixx