Por onde andei, Pelos campos, Pelas vilas, Pelos corredores extensos e salas vazias, Nas manhãs quentes, Nas tardes frias, Por entre o povo, ou na deserta cidade hibernal e sombria, Eu vi o tempo e os contratempos, O sofrimento e a alegria, E cada cena, cada beijo, Cada desfecho da vida, Gravou em minha memória e em minha alma uma história, Que coloco hoje em suas mãos em forma de poesia, É que ao fim de cada dia, Deixei-me levar, por longos anos, Por pensamentos e memórias, Mergulhei no insondável oceano, Que há nos singelos olhos, Profundos de quem amo, E nos acordes do piano, Perdi-me de forma sucinta, E deixei escapar pelos olhos, Um pingente de dor, um fragmento de minha alma, Sobre o papel e a tinta.


