De fato, concordo com uma ideia principal que Corey trabalha neste livro: existem muitos idiotas no mundo. No entanto, seu grande problema é querer criticar essas pessoas as encaixando em determinados estereótipos e se utilizando de uma argumentação tão superficial e genérica quanto minha frase de concordância.
Mal consegui chegar na metade do segundo capítulo. Além da estereotipação grosseira, Corey se dispõe a criticar a estupidez humana, fazendo-o à maneira de seu alvo. A agressividade de seu discurso vai além de uma revolta e acaba expressando posturas toscas, machistas e absolutamente desnecessárias para se argumentar: "cara de xoxota" (p. 31), "atirar bolinhas de cuspe empapadas de suco de xoxota" (p. 21) e aquelas típicas falas de consentimento de que mulheres fazem alguma "merda" e depois "reclamam quando os homens ao redor começam a tratá-las como putas [...]" (p.32).
A generalidade se expressa facilmente por categorizações como "vocês", "todos" e "Todos os caras". Além disso, senti certo tom em seu texto daquela visão de "mundo degenerado", em que os tempos passaram, tudo está em decadência e a tendência é só piorar, algo que sempre está atrelado a um falso saudosismo ao passado, onde se limita a enxergar determinados pontos positivos conveninentes a quem diz e se desconsidera o resto. Também, não consigo mais dissociar esse tipo de discurso com suas possíveis e reais consequências políticas.
A contradição é vista no moralismo pregado: "Bem, esses merdas usam tantos xingamentos que é incrível que estejam na TV. Porém, as pessoas ficam tão impressionadas por esse lixo, chamado reality TV, que acreditam que todos vivem assim e decidem fazer o mesmo" (p.31). Bem, isto é dito em um livro repleto de xingamentos... É claro que a abrangência de público e a repercussão de um reality show é muito maior que seu livro, mas este não deixa de ser um meio de comunicação que torna públicas suas ideias. Inclusive, o controle de restrição de idade ao acesso a conteúdos é muito mais presente na TV que em livros. Além disto, Corey não apenas é escritor, mas também é músico, e Slipknot ( que tem muitas músicas que gosto) foi bastante marcada pela agressividade em suas estética, performances, letras e sonoridade, além de, claro, muitos xingamentos. Longe de mim querer reforçar o moralismo, até porque xingo muito em conversas com pessoas íntimas, mas querer reclamar do outro por algo que você faz? Hipocrisia é demais pra mim.
Ainda neste ataque a reality shows, Corey nos apresenta uma frase interessante: "É uma coisa confusa e grosseira, desprovida de classe, moralidade ou até vocabulário desenvolvido" (p. 31). Ora, mas isto não é um resumo de seu capítulo, ou, talvez, até mesmo de seu livro? kkk... Ou ele tem a convicção de que acrescentar frases do Sarte e do Einstein no começo de sua obra e uma meia dúzia de palavras incomuns o legitiima a um patamar superior àquilo que está condenando?