“Mas isto não podia ter sido senão assim.”
Ao transformar figuras históricas como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro em personagens, Pedro Eiras se arrisca em um jogo polêmico, especialmente se tratando de duas personagens com um vínculo, uma relação tão próxima, que beira ultrapassar uma afetividade. A dor da distância física entre ambos, que se estende para uma dor espiritual, também assola os leitores. E, nesse ínterim, a discussão sobre filosofia, sobre a composição da arte, ainda encontra espaço para nos fazer lembrar que, apesar de ficcionalizados, ainda são verossímeis às figuras poéticas. A dor, que sentem através um do outro e que nós sentimos também, precisa operar dessa maneira, porque o destino (ou os astros, na perspectiva pessoana) já estava traçado. O que nos fica vai além da ficção: de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro nasce “Orpheu”, ou o que é a Literatura Modernista portuguesa.

