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    O Eu Profundo E Os Outros Eus - Seleção Afrânio Coutinho

    Afrânio Coutinho

    Pocket Ouro
    1992
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788561706043
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    'O Eu Profundo e os Outros Eus' fornece ao leitor excelente visão ampla obra do maior poeta português do século XX. Aqui estão os poemas mais significativos de Pessoa, desde os assinados com seu próprio nome, como 'Mensagem', 'Autopsicografia' e 'Mar Portuguez', até aqueles atribuídos a Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos.

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    Edna Galindo picture
    Edna Galindo10/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma visita para dentro de nós

    O Eu Profundo e os Outros Eus ? Fernando Pessoa ( Em uma última biografia dele consta mais de 120 Eus) Compartilho um dos meus Poemas preferidos de seu Heteronimo Álvaro Campos: ?? "Tabacaria" ?? Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, E não tivesse mais irmandade com as coisas Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada De dentro da minha cabeça, E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida. Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. Falhei em tudo. Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. A aprendizagem que me deram, Desci dela pela janela das traseiras da casa, Fui até ao campo com grandes propósitos. Mas lá encontrei só ervas e árvores, E quando havia gente era igual à outra. ..... #Bagagemliteraria #FernandoPessoa #ÁlvaroCampos

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    Afrânio dos Santos Coutinho profile picture

    Afrânio dos Santos Coutinho

    Afrânio Coutinho foi um professor, ensaísta e crítico literário brasileiro. Foi o responsável pela introdução no Brasil, nos anos 50, do New Criticism norte-americano. Conhecido como organizador da consagrada série A literatura no Brasil , que reuniu uma série de especialistas para expor em um painel as principais bases do cânone da literatura brasileira, Coutinho publicou dezenas de livros, que em seu conjunto caracterizam um dos maiores casos de dedicação à reflexão acadêmica da história do país. Dentre as diversas contribuições no meio literário e acadêmico do Brasil obteve a cátedra de literatura do Colégio Pedro II. Em 1948, criou a primeira cátedra de teoria e técnica literária do país, na Faculdade de Filosofia do Instituto Lafayette, no Rio de Janeiro. Tornou-se catedrático de literatura brasileira e diretor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 14 de abril de 1962 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Em 1968 foi nomeado diretor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, permanecendo no cargo até sua aposentadoria. A influência de Afrânio Coutinho na pesquisa universitária ainda está por ser avaliada, considerando o porte de sua produção. Tendo centrado seus interesses em Teoria, Crítica e História da Literatura, com especial ênfase em Literatura Brasileira , desenvolveu estudos em diversas áreas de conhecimento, cabendo destacar Educação e História. Duas grandes linhas condutoras podem ser observadas como constantes em seu universo de atuação. A primeira foi a intenção de firmar, analisar e divulgar o cânone da literatura brasileira; a segunda, foi a de discutir o papel da crítica literária, em especial seu estatuto acadêmico no Brasil. Afrânio Coutinho formou uma vasta biblioteca particular que se tornou a base para a fundação da Oficina Literária Afrânio Coutinho (OLAC), destinada a promover estudos literários, organizar cursos e conferências, e receber escritores nacionais e estrangeiros. Hoje a biblioteca pertence à Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O acadêmico faleceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de agosto de 2000, se tornando um dos grandes nomes da crítica literária brasileira e suas obras continuam relevantes até os dias atuais.

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    Bahia, Brasil

    Afrânio dos Santos Coutinho