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    Na Noite do Passado - Random Harvest

    James Hilton

    José Olympio
    1955
    319 páginas
    10h 38m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    6 avaliações
    Leram13Lendo0Querem17Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos0Desejados17Avaliaram6

    É 1937. Em viagem de trem, o jovem Harrison trava conhecimento com Charles Rainier, um veterano da Primeira Guerra. Hoje um respeitado político e empresário, Rainier deixa Harrison perceber que algo o atormenta. O rapaz logo descobrirá tratar-se de uma amnésia parcial que apagou mais de três anos da vida de Rainier, no final da guerra. Contratado como seu secretário, Harrison sente-se compelido a investigar o que teria acontecido a Rainier durante esses três anos envoltos em mistério. O caso complica-se porque a esposa de Charles e o mordomo, Sheldon, parecem saber alguma coisa - que não partilham com ninguém...

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    Resenhas (1)Ver mais
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    Carla Silva04/10/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Estranha Melancolia

    Eis uma pequena surpresa: comprei este romance na Feira de Livros pela bagatela de 1 real. Se fosse ruim só lamentaria o tempo gasto na leitura, e se fosse bom... Pois é. O romance é bom! Muito. É difícil para mim pôr em palavras minha experiência de leitura com "Na Noite do Passado". Tive sentimentos estranhos. Tentarei explicar: era como se James Hilton descrevesse uma Inglaterra que eu conheci - quando nunca visitei o país (fazê-lo ainda faz parte dos meus sonhos mais caros. Os EUA não me interessam; a Inglaterra e sua Londres sim). Como se evocasse uma terra de minha intimidade e predileção. Talvez seja esta a magia e determine meu prazer com o livro: senti-me próxima dos ingleses, de seus costumes, de suas idiossincrasias, de seu modo de vida. O romance inteiro é perpassado por uma melancolia esquisita - não é uma história infeliz, ainda que dramática; mas parece exalar uma saudade - de uma época, talvez, ou do próprio país (Hilton, inglês, mudou-se para os EUA nos anos 40, se não me engano). Aliás: eu disse "dramática". Contudo, é uma dramaticidade bem dosada, presa sob as rédeas de um estilo cuidado, com parágrafos que evocam sensações difusas, e diálogos que servem para descrever o protagonista, Charles Rainier, através dos olhos alheios. O narrador é o jovem Harrison que depois se tornará seu secretário particular. Ele descreve Rainier, as pessoas com quem conversa descrevem Rainier - nunca o autor em estilo direto. Evocação, evocação - Hilton quer nos deixar impressões de seu herói sem segurá-lo diretamente nas mãos e apresentá-lo assim a nós; sua elaboração nisso pareceu-me admirável. Fiquei pensando - em especial nas páginas iniciais, antes de me habituar ao estilo - que James Hilton é um escritor como não existem mais, e "Na Noite do Passado" um romance dos que não se escrevem mais. Naquela época, décadas de 20, 30 e 40 do século XX, era possível escrever-se bem sem se preocupar em inovar estilisticamente e sem cair em fórmulas de best-sellers. Áureos tempos. Saudosos tempos. A destacar: o desfecho é uma surpresa comovente.

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 6
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas17%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    James Hilton  profile picture

    James Hilton

    James Hilton realizou os primeiros estudos em Londres, onde seu pai era mestre-escola e, em 1921, formou-se em história pela Universidade de Cambridge. Na adolescência já revelava marcante inclinação literária, escrevendo seu primeiro romance, Catherine Herself (1920), com apenas dezessete anos de idade. Saindo da Universidade, passou a colaborar em vários jornais e continuou a escrever romances, pretendendo uma carreira de sucesso no mundo literário. Publicou seu segundo romance, E Agora Adeus (And Now Goodbye), em 1931. Mas o verdadeiro sucesso veio com Adeus Mr. Chips (Goodbye Mr. Chips), em 1934, romance sobre um velho professor, narrado de maneira singela e despretenciosa. O sucesso trouxe a redescoberta de outros romances escritos anteriormente, principalmente Fúria no Céu (Rage in Heaven, 1932) e Horizonte Perdido (Lost Horizon, 1933). Este último, um verdadeiro best-seller, combinando habilmente aventura com uma bela mensagem, recebeu o prêmio Hawthorden. Em 1935, Hilton partiu para Hollywood, onde permaneceu até o final de sua vida, escrevendo roteiros originais e adaptações cinematográficas. Morreu em Long Beach, Califórnia, EUA.

    18 Livros
    12 Seguidores
    Lancashire, Inglaterra

    James Hilton