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    Ernesto Geisel -

    Maria Celina D'Araújo, Celso Castro

    Editora FGV
    1997
    491 páginas
    16h 22m
    ISBN-10: 8522502307
    Português Brasileiro
    4.1
    36 avaliações
    Leram71Lendo8Querem164Relendo2Abandonos5Resenhas5
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    Os presidentes brasileiros não costumam registrar as impressões colhidas ao longo de sua vida pública. Uma excessão foi Ernesto Geisel, conhecido por sempre ter evitado falar com a imprensa e com historiadores. Ao longo de muitas horas de entrevista ao CPDOC, Geisel narrou sua história: infância, formação profissional e intelectual, funções na administração pública e experiência no Exército. A parte central da entrevista refere-se a sua participação no regime militar, principalmente durante o período em que ocupou a presidência da Replública. Encontramos aqui suas apreciações sobre a conspiração contra o governo João Goulart, o desempenho dos vários governos militares, a guerrilha, a tortura levada a cabo pelos órgãos de informação das Forças Armadas, o terrorismo de direita e a linha dura. Em relação a este ponto, o episódio da demissão do ministro do Exército, Silvio Frota, em 1977, ocupa uma das partes mais relevantes do livro. Importantes também são as críticas ao empresário brasileiro, ao “imperialismo americano” e às privatizações, bem como a avaliação sobre o Exército Brasileiro, antes e depois de 1964, a intervenção do Estado na economia e o desempenho dos governos civis da Nova República. O livro, em suma, suscita debates, reaviva paixões aquietadas pelo passar dos anos. Ele nos dá a visão de alguém que esteve dentro do poder, ditando as razões de Estado para uma nação ávida por mudanças mas também sequiosa pela democracia que a ditadura cassou.

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    Wagner Paulin21/01/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    VIVANDEIRAS

    (…) “Temos que dar um golpe! Temos que derrubar o presidente! Temos que voltar a ditadura militar!”. E não é só o Bolsonaro não ! (…) Quanto ao fato de muitos políticos baterem na porta do quartel, devo dizer que isso sempre existiu. Vocês não conhecem a história do Castelo ? Quando os políticos começavam a aliciar , a sondar os militares, ele vinha com a história das “vivandeiras batendo nos portões dos quartéis” As vivandeiras eram as mulheres que acompanhavam o Exército na Guerra do Paraguai, eram as lavadeiras, as que viviam ali por perto das tropas. Castelo dizia que os políticos eram as vivandeiras porque toda vez que o político começa a se exacerbar nas suas ambições ele logo imagina a revolução. (…) Tem muita gente no meio civil que está pensando assim. Quantos vem falar comigo, me amolar com esse negócio: “Quando é que o Exército vai dar o golpe? O senhor tem que agir, é preciso voltar!” São as vivandeiras! (…) (…) Não contemos o Bolsonaro, porque o Bolsonaro é um caso completamente fora do normal, inclusive um mau militar (…) 06- Os militares, a política e a democracia.

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    Maria Celina D'Araújo

    Doutora em Ciência Política, professora e pesquisadora do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (Cpdoc/FGV), Rio de Janeiro. É autora e organizadora de dezenas de livros e artigos que examinam processos autoritários e distensões democráticas no Brasil e na América Latina.

    14 Livros
    3 Seguidores

    Maria Celina D'Araújo