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    Pé do ouvido -

    Alice Sant’Anna

    Companhia das Letras
    2016
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-13: 9788535927382
    Português Brasileiro
    3.7
    120 avaliações
    Leram177Lendo4Querem111Relendo0Abandonos1Resenhas7
    Favoritos6Desejados111Avaliaram120

    Um longo poema com versos repletos de lirismo, de uma das grandes revelações da poesia contemporânea brasileira. Pé do ouvido se inventa como um poema de formação, gênero que, como se sabe, não existe. Nos romances assim designados, uma personagem jovem parte em viagem e, a cada experiência vivida, forja, por acumulação, sua personalidade e visão de mundo. A narradora de Alice Sant'Anna certamente é jovem, mas já rodou muitas estradas. Entre uma Brook Street qualquer e o Morro Dois Irmãos, o que ela aprende é a perder - certezas, casas ou amores -, aluna aplicada na dura disciplina ensinada por Elizabeth Bishop. Em duas partes assimétricas, no longo monólogo da viagem e no breve recado da volta, ela depura a dúvida. É tão impossível fotografar a lua com o celular quanto apreender a vida na linguagem. Tradutora obsessiva, que a todo momento recorre à poesia japonesa para certificar-se de seus limites, ela confronta palavras ("a diferença entre solitude/ e loneliness qual é?") e a própria expressão ("se tivesse nascido/ em outro país a voz seria outra/ e as coisas que escreve e pensa/ também seriam outras"). O poema está no que se perde, na tradução e na vida. No que a narradora não chega a compreender inteiramente de uma cultura ou na impermanência fatal de um amor. "o momento em que você percebe/ que está vivendo um momento/ por algum motivo/ um momento mais importante/ que os outros" traduz o instante decisivo de seu périplo banal. Reinstalada num quarto todo seu, a poeta que já viu materializar-se no tédio da casa um portentoso rabo de baleia agora adverte: "do outro lado da porta mora um leão/ é preciso aprender/ a abrir a porta do quarto/ com toda a delicadeza para que o leão/ não acorde". É nessa delicadeza tensa que Alice afina a sua voz. Ao pé do ouvido, como se sabe, fala-se baixo. Falar assim é conquistar um interlocutor exclusivo e atento: ouvido à altura da boca, rendido por desejo, curiosidade ou apreensão. É cena de intimidade, mas pode ser de ameaça. Drama ambíguo, como o da fera adormecida no cômodo ao lado. Paulo Roberto Pires

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    Resenhas (7)Ver mais
    Bruno Dellatorre Garcia  picture
    Bruno Dellatorre Garcia 08/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Cara, que surpresa boa

    Depois de tanto ler livros ruins de poesia brasileira contemporânea, encontrar esse foi como sair de um ambiente sufocado e poder finalmente respirar um pouco de ar fresco. O livro não traz vários poemas, mas um único, dividido em duas partes. Soa como um fluxo de consciência, talvez até um monólogo interior. Achei original e interessante.

    12 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 120
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas40%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas2%
    Alice Sant’Anna profile picture

    Alice Sant’Anna

    Nasceu em 24 de maio de 1988, no Rio de Janeiro. Estreou em 2008 com o livro de poesia Dobradura (7 Letras). Lançou duas publicações independentes: Bichos de Luz (2009) e Pingue-Pongue (2012), este em coautoria com Armando Freitas Filho. Atualmente é colaboradora da Revista Serrote. Seus últimos livros lançados são: Rabo de Baleia (CosacNaify, 2013) e Ao Pé do Ouvido (Companhia das Letras, 2016).

    6 Livros
    15 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Alice Sant’Anna