The whole world wants to learn the secrets of Nordic exceptionalism: why are the Danes the happiest people in the world, despite having the highest taxes? If the Finns really have the best education system, how come they still think all Swedish men are gay? Are the Icelanders really feral? How are the Norwegians spending their fantastical oil wealth? And why do all of them hate the Swedes? Michael Booth has lived among the Scandinavians, on and off, for over ten years, perplexed by their many strange paradoxes and character traits and equally bemused by the unquestioning enthusiasm for all things Nordic that has engulfed the rest of the world, whether it be for their food, television, social systems or chunky knitwear. In this timely book he leaves his adopted home of Denmark and embarks on a journey through all five of the Nordic countries to discover who these curious tribes are, the secrets of their success and, most intriguing of all, what they think of each other. Along the way a more nuanced, often darker picture emerges of a region plagued by taboos, characterised by suffocating parochialism and populated by extremists of various shades. They may very well be almost nearly perfect, but it isn't easy being Scandinavian.
The Almost Nearly Perfect People - Behind the Myth of the Scandinavian Utopia
Michael Booth
Edições (1)
Ver maisNão sei vocês, mas eu sempre tive uma espécie de fascinação com os países nórdicos. Quando fala 'Escandinávia', minha mente vai logo divagando para uma terra perfeita, cheia de arco-íris, unicórnios, onde todos são felizes, andam de bicicleta e peidam cheiroso. claro que eu sei que a realidade passa bem longe disso (como tudo na vida), mas minha opinião baseada em informações muito aleatórias e vagas era a de que se existe um paraíso na terra, esse paraíso fica localizado ao norte do continente europeu, entre umas florestas e uns fiordes. Essa minha fascinação me trouxe até o The Almost Nearly Perfect People, um livro escrito por um jornalista inglês, casado com uma dinamarquesa, que viveu por mais de uma década na Dinamarca e viajou muito aos outros países nórdicos, para falar sobre as rachaduras nas armaduras douradas dos vikings. O livro não é de forma alguma um guia definitivo da verdade, mas uma coletânea de informações sobre aspectos cotidianos, trejeitos, manias e personalidade dos nórdicos (Escandinávia - Noruega, Dinamarca e Suécia -, Islândia e Finlândia), além de um pouco de história e economia, tentando explicar porque eles são como são. É claro que o cara não tirou tudo da cabeça dele e de algumas viagens, sentou pra conversar com vários especialistas, políticos e pessoas envolvidas mais profundamente com os temas que ele abordou. Vou admitir que o Michael Booth irrita em alguns momentos. Ele é claramente muito insatisfeito com vários aspectos da vida escandinava (como, por exemplo, pagar mais de 50% da própria renda mensal em impostos) e deixa isso bem claro, ridicularizando várias coisas e colocando sob luz negativa coisas que, sinceramente, eu não enxerguei dessa forma. Ele também é obviamente inglês, e os ingleses, querendo ou não, se acham os modelos de gentileza e educação do mundo, então qualquer coisa diferente disso já é um escândalo pra ele (de novo, eu, enquanto brasileira, não vi tanto absurdo assim). Identifiquei uma certa voz xenofóbica e até machista em determinados momentos, mas é difícil saber se essa é a opinião do autor ou a forma que ele encontrou de provocar um pouco as pessoas que entrevistava. Se você passar por cima do que é claramente uma torcida de nariz do autor, o livro tem MUITAS informações muito interessantes. Depois de ler tudinho, a conclusão que eu chego é que, sim, existem muitos problemas nos países nórdicos. A terra de conto de fadas, como já era esperado, não existe. Por exemplo, a gloriosa xenofobia, mais forte em alguns lugares (Dinamarca) do que em outros (Suécia). A integração entre os locais e os estrangeiros é cheia de barreiras, principalmente porque os nórdicos não querem ter que sair da zona de conforto pra nada. Se você vai até eles, você que se vire para se encaixar. Eu não tenho como confirmar, mas o autor diz que é difícil até para turistas, porque a maioria das pessoas não é muito aberta a conversar, parar para dar informação, etc. Em outras palavras, são antipáticos mesmo (pelos padrões europeus - porque eles não se consideram europeus - e latinos, é claro; pra eles, eles são absolutamente normais, então tudo é uma questão de pontos de vista). Gente muito falante, muito expansiva, muito cheia de histórias para compartilhar são vistas com maus olhos (eu gostei disso na vdd, também tenho nervoso de gente expansiva), assim como a famosa OSTENTAÇÃO. Ninguém ostenta, e quem ostenta é mal falado. O negócio é parecer o máximo possível com todo mundo - segundo o Booth, você não conseguiria dizer, olhando na rua, quem é um CEO de uma super empresa e quem é o carinha da cantina num jardim de infância - o que, de novo... Vai contra os princípios básicos do capitalismo ocidental - SE VOCÊ TEM, ESFREGA NA CARA DE TODO MUNDO - mas eu considero uma coisa boa. Eu entendo que o que o autor critica é que muita coisa se torna uma IMPOSIÇÃO - por exemplo, na Suécia, um dos países com maiores índices de igualdade de gêneros do mundo, as mulheres não abdicam do trabalho para ficar em casa cuidando das crianças; pais e mães dividem as tarefas e as licenças e, se a mãe quiser estar de volta ao trabalho rapidamente, pode deixar seu bebê de seis meses em uma das muitas e baratíssimas creches de qualidade espalhadas pelo país e tudo bem. O que é ótimo, não é verdade? Sim. Mas aí tem o outro lado: mães que optam por ficar mais tempo em casa, ou que querem dedicar alguns anos aos filhos, são quase que ostracizadas da sociedade. Enquanto por aqui ainda é o oposto... Encontrar o equilíbrio, ainda precisamos (YODA). Apesar disso, há muita coisa a se admirar na organização dos países nórdicos. Baixíssimos índices de corrupção, confiança altíssima, sistemas de saúde e educação gratuitos e universais, igualdade de gêneros (maior que no resto do mundo), respeito às individualidades, incentivo à cultura, SECULARISMO (ô graça!)... Os impostos são altíssimos? São, sim senhor. Mas os retornos também são altíssimos na forma de serviços públicos de qualidade, baixa desigualdade social e responsabilidade com o dinheiro do contribuinte. Não quer dizer que seja fácil de copiar esse sistema e PLIM! Acabar com todos os males do mundo! É preciso muitos anos, muita determinação para MUDANÇA e uma sociedade aberta para tal para se alcançar esse tipo de coisa. A confiança é um fator determinante - quem iria confiar em dar 50% dos seus rendimentos para o governo no Brasil? Nossos políticos estariam dispostos a reduzir seus salários, se submeter ao crivo popular, acabar com foro privilegiado e perder todos os benefícios milionários para se igualar um pouco mais com a população geral? SEI... (Mas no Brasil o pobre e o classe média acabam pagando fortunar de imposto de qualquer jeito de forma indireta, só quem se dá bem mesmo é a nossa amiga elite, que tá entre os menores pagadores de impostos que tem por aí. Mas enfim.) De toda maneira, tem MUITA coisa que poderia inspirar as nossas sociedades a serem melhores versões de si mesmas, mais igualitárias, menos corruptas e violentas. Esse livro é particularmente interessante porque dá uma pincelada muito boa no desenvolvimento da Noruega, que saiu de país pobre para a economia mais estável e saudável do mundo depois de descobrir o famoso PRÉ-SAL. Tudo que foi feito lá para explorar o petróleo, as políticas aplicadas, a criação do fundo soberano, a forma como o dinheiro é investido e determinações sobre quem tem direito a explorar o ouro negro, transformaram a população norueguesa na mais rica do mundo, através de uma coisa chamada REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA. Impressionantemente, quando você realmente investe no desenvolvimento da população como um todo em vez de concentrar os lucros em uma meia dúzia e só compartilhar os prejuízos, como é feito por aqui, dá certo! Quem poderia imaginar, huh? Enfim. É um ótimo case para entender exatamente de que forma o que o governo Temer e outros estão fazendo com a Petrobrás e o pré-sal vai afetar o Brasil. Essa história de "privatiza tudo mesmo!" só interessa pro investir estrangeiro. Pro povo brasileiro é ZICA CERTA. Precisamos parar de olhar para os EUA na hora de pensar no tipo de sociedade que queremos replicar, em que tipo de mundo queremos viver. As coisas só tendem a piorar enquanto o Tio Sam servir de exemplo. Esse livro, ainda que muito por alto e com uma pitada de humor britânico, deixa bem claro para onde o mundo precisa olhar. Só sei que eu vou virar a insuportável que fica quotando o livro o tempo inteiro. "Você sabia que na Noruega..."
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