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    Mulheres -

    Charles Bukowski

    L&PM
    2016
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788525433961
    Português Brasileiro
    3.9
    5411 avaliações
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    “Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhuma mulher.” Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de música clássica, alter ego de Charles Bukowski e protagonista de Mulheres. Mas este não é um livro convencional – nem poderia ser, em se tratando de Bukowski – no qual um homem está à procura de seu verdadeiro amor. Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres, o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à margem. Escrevendo em prosa, Bukowski poetisa a dureza da vida e nos dá uma pista: “ficção é a vida melhorada”.

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    Kássia Castoldi Ficagna picture
    Kássia Castoldi Ficagna02/03/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Quem lê um Bukowski esperando pornografia, definitivamente não lê Bukowski. Henry Chinaski é um escritor, cinquentão e alcoólatra. Que "de alguma forma misteriosa" consegue conquistar mulheres vinte ou trinta anos mais jovens, belíssimas. Na verdade, não tem mistério nenhum. Henry é um cafajeste. Mas possui uma qualidade cada vez mais rara, nas pessoas em geral e nos homens em particular: honestidade. Não, não é um contrassenso. Hank não ilude com amor, com promessas, não alimenta falsos sonhos e expressa sempre o que sente. Seja isso bom ou ruim. Pra algumas pessoas é difícil entender que a realidade cinza seja mais bonita que uma fantasia colorida. A escrita do velho Buk é crua, direta, sem metáforas. Encontrei, quanto muito, uma frase metafórica e que seria considerada poética. Por isso, se você gosta de Nicholas Sparks, Bukowski não é para você. O velho safado escreve a poesia da realidade. Da sua realidade. Triste, melancólica. Só quem já sentiu necessidade de se preencher com algo entende o que está nas entrelinhas. A diferença é que quem buscou se preencher com fantasia vai se chocar com Bukowski, que preenche seu vazio com realidade: sexo e álcool. É uma experiência interessante deixar que as pessoas saibam que você está lendo um livro do Bukowski e deixar que elas abram em um trecho aleatório. Muito provavelmente vai falar de sexo sem a menor cerimônia. É um ótimo filtro de moralismos. Porque o que você faz não pode ser falado? É essa a mágica de Bukowski: ele não se esconde. Bukowski se desnuda aos leitores, em todos os sentidos.

    305 curtidas

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