H.P. Lovercraft é um marco da ficção e do terror, com criaturas sobrenaturais marcantes e enredos muito bem elaborados, que mascaram as questões à época e os próprios pensamentos do autor como um cidadão funcional da sociedade. Com esse conto, não era de se esperar que eu ansiava uma obra de tirar o fôlego e extremamente envolvente, com elementos subjetivos e objetivos do horror que Lovercraft tanto usa e abusa com maestria. Entretanto, tamanha decepção foi a minha ao me deparar com uma história profunda não tão bem explorada e de ritmo tedioso, que procurava mais evidenciar a loucura da família de forma fantasiosa e se utilizar de termos pomposos demais para descrever o horror presente.
"Arthur Jermyn" é um conto fantasioso até demais e que não soube utilizar a escrita formal (até demais) ao seu favor, procurando sempre manter-se no absurdo, sem entregar respostas ou especulações que intriguem o leitor, e muito menos soube como abandonar o formal e se utilizar do informal para fazer o horror se tornar palpável. Os personagens são rasos e fúteis, mesmo que Lovercraft busque evidenciar suas histórias de exploração e aventuras com menções honrosas. O terror propriamente dito da história é quase banal quando se resume a uma loucura generalizada após olharem uma relíquia africana que resume-se apenas nisso: causar medo e loucura em todos os homens que a olham. É uma trama que abre caminhos para obras incríveis e de enredos surpreendentes, mas Lovercraft não soube aproveitar quando escreveu a linhagem Jermyn.