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    On the Fourfold Root of the Principle of Sufficient Reason -

    Arthur Schopenhauer

    Open Court
    1999
    260 páginas
    8h 40m
    ISBN-10: 0875482015
    5
    1 avaliação
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    Felipe Correia Pimenta picture
    Felipe Correia Pimenta27/05/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Se Platão e Kant já haviam defendido a existência de um conhecimento a priori, Schopenhauer acredita que deu uma grande ( e a melhor ) contribuição para o chamado Princípio de Razão Suficiente. Com sua linguagem clara e de uma beleza só superada pela de Platão, Schopenhauer rejeita as filosofias de Hegel,Schelling e Fitche, e considera que ele é o continuador da tradição kantiana. O conhecimento deve ter razões a priori, e cabe ao filósofo descobrir os porquês, e a esse processo Schopenhauer chama de a origem de toda a ciência. O filósofo escolhe a fórmula de Christian Wolff de que nada existe sem uma razão para ser como a melhor definição para o princípio que pretende explicar. Essa definição é adequada a uma fórmula a priori. Platão no Timeu já havia dito que nada surge do nada e que tudo tem uma causa. Schopenhauer também cita Aristóteles, que nos Analíticos Posteriores havia dito que provar que uma coisa existe é muito diferente de demonstrar por que ela existe. Schopenhauer passa para uma análise dos filósofos modernos começando por Descartes, a quem ele critica por não diferenciar razão e causa. A prova ontológica de Descartes, faz tudo depender de uma causa “in conceptu entis summe perfecti existentia necessaria continetur” e faz a filosofia servir a maior glória de Deus, como diz o filósofo alemão. Schopenhauer rejeita qualquer pretensão da teologia para provar a existência de Deus e cita Aristóteles que dizia : “existência nunca pode pertencer à essência de uma coisa.” A prova ontológica teve amplificações monstruosas nas filosofias de Schelling e Hegel, segundo o filósofo. Para ele, até mesmo Spinoza tende a adotar a prova ontológica só que não para provar a existência de Deus, mas a do mundo, uma vez que este não precisa de Deus. Hume foi o filósofo que acreditou que o princípio de razão suficiente era uma verdade eterna. Hume define a causalidade como nada além da sucessão empiricamente observada de coisas e estados no Tempo, que o hábito nos fez familiares. Schopenhauer crê que esse foi o ponto de partida de Kant, que o levou ao Idealismo Transcendental. Os princípios transcendentais nos são dados a priori segundo Schopenhauer e nos dão o conhecimento sem a necessidade de experiência. Para ele, procurar uma prova do princípio de razão suficiente é um absurdo. Objeto e sujeito e a nossa representação são as mesmas coisas. Segundo ele, nossas representações são determinadas a priori e nada separado pode se tornar um objeto para nós.Schopenhauer divide em quatro classes os objetos que podem se tornar representações para nós. A primeira classe ( vir-a-ser) é a de objetos empíricos, completos e intuitivos. Eles são intuitivos pois não são apenas pensamentos; são completos porque contêm não somente a parte formal , mas também a material do fenômeno; por fim são empíricos porque não são uma mera conexão de pensamentos, mas produzem excitação no organismo. As formas dessas representações são o Tempo e o Espaço. A prova Cosmológica é declarada nula pelo princípio do vir-a-ser. O princípio do vir-a-ser pressupõe sempre a ideia de mudança e, segundo Schopenhauer, a causa sempre precede o efeito no Tempo. A segunda é a do conhecer. Ele rejeita o conhecimento que vem apenas pelos cinco sentidos. Os órgãos corporais não transmitem conhecimentos objetivos. Schopenhauer acredita que somente quando o entendimento começa a agir, a sensação subjetiva começa a se tornar uma percepção objetiva. O entendimento é totalmente apriorístico. Ele não nega o entendimento nem mesmo aos animais completamente de acordo com sua filosofia geral. A terceira classe é a do Ser, que é as divisões de Espaço e do Tempo que determinam uma à outra reciprocamente com referência a essas relações ( posição e sucessão ), diz Schopenhauer. O Ser está no tempo pelas provas aritméticas e geométricas. Schopenhauer usa como exemplos os axiomas de Euclides. O filósofo oferece este exemplo: Euclides escreve nos Elementos que se dois ângulos de um triângulo são iguais , os lados que subentendem, ou que são opostos, os ângulos iguais deverão ser iguais uns aos outros. Ora, de acordo com Schopenhauer, nesta demonstração nós temos a razão para a verdade da proposição. Essa nos é dada pela razão do Ser de maneira intuitiva e não admite outra demonstração. Ou seja, duas linhas desenhadas em extremos opostos terminam em outra linha e inclinando igualmente até a outra, só podem se encontrar em um ponto que está igualmente distante de ambas as extremidades. Os dois ângulos que surgem são propriamente um só, mas dão a aparência de serem dois. A quarta classe é a da Vontade. O sujeito, segundo o filósofo, conhece a si mesmo pela vontade e não pelo conhecimento. Não há conhecimento sem conhecer, diz o filósofo. Ser um objeto é ser conhecido pelo Sujeito. A Vontade está acima do intelecto para Schopenhauer. A conclusão é que o Princípio da Razão Suficiente é o princípio de toda a explicação. Ele está presente em todas as ciências. Schopenhauer cita Platão que dizia “que o mundo que sempre aparece e perece, mas de fato nunca existe” deve ser desprezado por nós. A conclusão de Schopenhauer é que tudo existe por uma razão. O idealismo é a filosofia defendida por Schopenhauer, que ele acredita que é o âmago da filosofia do oriente, que só é rejeitada no ocidente por causa da influência do realismo bíblico ( via Judaísmo ) . Toda e qualquer prova da existência de Deus é declarada impossível por Schopenhauer, pois ele demonstra que ninguém além dos judeus chegou à conclusão que existe um Deus único. Ele acreditava que a filosofia jamais deveria estar subordinada à teologia e criticava duramente os “filósofos do Estado”, que defendiam as provas da existência de Deus sem levar em conta a Crítica de Kant. Essa obra A Quádrupla Raiz do Princípio da Razão Suficiente foi tese de doutorado do filósofo alemão. É uma das obras de filosofia que eu mais gosto. Toda a prova de um conhecimento a priori é demonstrada por Schopenhauer, que leva a filosofia kantiana a um novo nível.

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    Arthur Schopenhauer

    Pessimista em sua visão do mundo, considerou ser a Vontade a última e mais fundamental força da natureza, que se manifesta em cada ser no sentido da sua total realização e sobrevivência. O conceito de Vontade deste filósofo diz respeito a algo infinito, uno, indizível, e não a uma vontade finita, individual, ciente. Ela estaria presente no homem, como em toda a natureza. Para Schopenhauer, a realidade é vontade irracional, onde o finito nada mais é que mera aparência da realidade. A vontade infinita, traz com ela a característica da insaciabilidade, sendo então algo conflituoso que geraria dor e sofrimento ao homem. Foi seminarista até os 14 anos. Iniciou estudos de medicina na universidade de Gottingen, mudando depois para filosofia, na universidade de Berlim. Sua tese Vierfach Wutzel der Zats uber zurechern Grund ( "Sobre a quádrupla raiz do princípio da razão suficiente") foi escrita em 1813. O difícil convívio com sua mãe com certeza marcou sua personalidade mas ela lhe permitiu conhecer intelectuais como Goethe (1749-1832), que freqüentavam sua casa em Weimar, centro da vida cultural alemã em sua época. Com a herança recebida do pai pôde viver sua vida de solteiro com relativo conforto e inteiramente entregue ao seu trabalho intelectual. Seu principal livro, Die Welt als Wille and Vorstellung ou "O Mundo como vontade e representação" (1819), embora o seu livro Parerga e Paraliponema (1851) seja o mais conhecido.

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