Em Pasteur, o prestigiado imunologista e médico francês Patrice Debré oferece o relato mais extenso, equilibrado e detalhado da vida, lutas e contribuições do cientista, até agora já escrito. Publicada originalmente na França, em 1994, para marcar o centenário da morte de Louis Pasteur (1822-1895), a biografia de Debré baseia-se fortemente nos próprios cadernos e escritos científicos de Pasteur para apresentar um relato crítico e completo de suas descobertas e das controvérsias que elas suscitaram com outros cientistas, ocasionalmente com seus colaboradores mais próximos e com historiadores desde então. Debré fornece uma narrativa muito bem documentada da vida e família de Pasteur, bem como de suas relações com o governo francês e as comunidades científica e médica estabelecidas em sua época. Ele situa Pasteur em seu contexto histórico, descrevendo a política e a cultura da França do século XIX, esboçando retratos de outros grandes cientistas, como Marcelin Berthelot, Émile Littré e Claude Bernard, cujas vidas ou obras se entrelaçaram com as de Pasteur.
PASTEUR - Uma biografia
Patrice Debre
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Ver maisBiografia de um gênio rabugento
Há cientistas que já entraram para o imaginário popular, Newton, Darwin e Einstein são os maiores exemplos, especialmente o físico alemão. Louis Pasteur (1822-1895), porém, merecia ser mais conhecido no século XXI. Poucos cientistas tiveram um impacto tão grande nas nossas vidas cotidianas como ele. Químico de formação, foi o responsável por descobrir todo um universo de seres vivos invisíveis: os germes, ou micróbios, e mostrar, com dados e fatos, que a maioria dos doentes hospitalizados morriam mais por causa dos micróbios do que pela doença ou ferimento em si. Isso foi uma revolução, a ponto de ser execrado pelos médicos de sua época, já que ele demonstrou que simples hábitos que poderiam ser adotados pela comunidade médica poderiam salvar vidas - como lavar as mãos, usar aventais limpos e manter os hospitais higienizados. Na verdade, boa parte do vocabulário médico atual vem dele ou de sua escola: assepsia, antissepsia, desinfecção, esterilização etc. Além de tudo isso, abriu portas para ciências que se tornariam independentes, como a microbiologia, a imunologia e a química molecular. Louis Pasteur, além de grande cientista, também foi hábil ao patentear muitas de suas descobertas que tiveram uso em larga escala tanto na indústria quanto na agricultura, e grande empreendedor ao fundar um instituto, que se alastrou pelo mundo, os famosos "Instituto Pasteur", responsável pelas descobertas de inúmeras vacinas, como as para a raiva, tétano, coqueluche, leishmaniose e antiofídicas. Foi graças aos seus métodos que a vacinação de animais ou erradicação de pragas tornaram-se coisa banal, embora em sua época precisasse vencer, mais do que preconceitos, hábitos milenarmente arraigados. Para se ter uma ideia, apesar de suas descobertas sobre a infecção hospitalar, suas ideias sobre assepsia levaram cerca vinte anos para serem adotadas pelos médicos! Quantas vidas não teriam sido salvas... É um homem típico do século XIX, que acreditava na ciência como patrimônio da humanidade, mas também como atividade e produto para fazer orgulhar a pátria, em especial a sua França, como pode-se ver no seu nacionalismo e antigermanismo ferrenho, fruto da derrota francesa na guerra com a Prússia, em 1870. Na época havia uma espécie de corrida, chamada 'guerra bacteriológica', para ver quem chegaria primeiro a desvender esse micromundo de germes, bactérias, vírus, micróbios, se a França ou a Alemanha. A riqueza dos debates científicos alavancados pelo autor merece destaque: não há como não comparar a rivalidade Pasteur (francês) x Koch (alemão), com as rivalidades da corrida espacial entre EUA x URSS no século XX, ou a atual corrida por microchips e IA entre EUA x China. É fato sabido e reconhecido que os Institutos Pasteur serviram na dominação colonial francesa, mas também aqui é preciso ler a realidade em suas nuances, já que tais institutos espalhados mundo afora descobriram muitas vacinas que assolavam os povos dominados, e as vacinas antiofídicas e contra a peste são bons exemplos. Acho que uma das maiores proezas de Pasteur foi que ele praticamente inventou a ideia de uma organização independente do Estado e da Universidade, o instituto científico, com funcionários e recursos próprios, que vem de doações e da venda de produtos (vacinas) gerados a partir da ciência básica. Para quem se interessa por história da ciência, este livro é magnífico. Um passeio por sua história a partir da biografia de um de seus grandes nomes.
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