Reunião de crônicas escritas por Marcelo Mendez e publicadas no jornal ABCD Maior, Contos da várzea e outros blues é uma defesa apaixonada do futebol de várzea. Duas defesas. Três defesas. Quatro defesas... 48 defesas!
Durante os quase cinquenta textos do livro nos deparamos com aquilo que encontramos, logo de cara, no primeiro deles: o esforço do autor para transmitir ao leitor a magia que emerge dos campos da periferia.
É louvável a iniciativa, evidentemente, mas a repetição de argumentos, a busca forçada pelo lirismo e a exagerada tentativa de equiparar as partidas dos domingos matutinos (e de alguns sábados vespertinos) a grandes obras do cinema, da música e da literatura, tornam a leitura, a certa altura, monótona, cansativa e, até, enfadonha. Infelizmente.
Trecho do livro:
"O camisa 10 da várzea toca a bola da mesma forma que Paul Desmond tocava sua palheta para frasear Take Five ao lado de Dave Brubeck. Consegue dar ônus de imortalidade a um simples toque na bola. Com ele, um calcanhar é maior que toda a obra de Ionescu. O menino 10 da várzea jogando futebol é de uma grandiosidade épica, capaz de transformar Shakespeare em uma reles chanchada da Atlântida." (p. 99, na crônica Ode ao 10 da várzea)