Eu conheço uma fada chamada Sempre-Viva. Ela é uma senhora fada, tipo vovó ou bisavó. Fada Sempre-Viva usa um leque, em vez de varinha de condão. Seu chapéu é de pérolas, com um veuzinho feito de teia de aranha francesa. Fada Sempre-Viva mora numa casa que também é fada: é uma casa-fada com janelas encontradas. As janelas abrem-se sobre paisagens que imaginamos. A janela daqui mostra um lugar cheio de borboletas. A janela dali mostra um céu estrelado, com lua, dragão e astronauta. A janela do meio mostra o pensamento. E como o pensamento é coisa de repente, a janela abre para o branco. Quem olhar por ela pensa o que quer. Fada Sempre-Viva faz tudo o que qualquer fada faz: transforma sapos em príncipes, abóboras em carruagens, ratinhos em sanduíches de cachorro-quente e cachorro-quente em cachorro-frio resfriado. Mas o que a fada Sempre-Viva faz melhor de tudo é bater claras de neve. Ela é especialista, formada pela Escola de Claras em Neve do país das Nevadas Claras. E fada Sempre-Viva, quando bate claras em neve, deixa de lado o seu leque, coloca um avental feito de retalhos de escamas de rabo de sereia e babadinhos... e vai para a cozinha. A cozinha da fada Sempre-Viva é linda: com fogão de flores, geladeira de morangos, pia de peixinhos, ladrilhos de pedras preciosas.

