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    Proslógio (Escolástica) - Edição bilíngüe

    Santo Anselmo, Anselmo de Cantuária

    Concreta
    2016
    124 páginas
    4h 8m
    ISBN-13: 9788568962138
    Português Brasileiro
    4.2
    32 avaliações
    Leram58Lendo3Querem49Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos1Desejados49Avaliaram32

    Diz a hagiografia de Santo Anselmo da Cantuária (1033- 1109) que ele era dotado de grande discernimento dos espíritos, de tal maneira que parecia ler os corações das pessoas com notável finura d’alma e precisão, valendo-se do invulgar talento de observador dos comportamentos humanos. Ocorre que a vocação de Anselmo não era apenas para vigílias, jejuns, orações e silêncio. Nele, o místico e o asceta são inseparáveis do filósofo e do teólogo. Não por outro motivo, o dístico de sua vida intelectual (“fides quaerens intellectum”, “a fé que busca entender”) é o ponto de inflexão daquilo que veio a ser a Escolástica nos três séculos seguintes, tempo de extraordinário desenvolvimento nas artes, na ciência, na filosofia e na teologia. O Proslógio é a mais famosa obra de Santo Anselmo. As repercussões que o chamado “argumento ontológico”, nela presente, teve ao longo dos séculos seguintes, na pena de grandes filósofos, apontam para a sua inegável importância: São Boaventura, Santo Tomás, Duns Scot, Descartes, Malebranche, Espinosa, Leibniz, Baumgarten, Kant, Hegel, Schelling e outros se debruçaram sobre o referido argumento, alguns acolhendo-o, outros refutando-o. O texto bilíngüe do Proslógio vem acompanhado por dois apêndices (também bilíngües) que condensaram a polêmica em torno da inauguração do argumento ontológico: a objeção tecida pelo monge Gaunilo em seu Liber pro insipiente e a tréplica subseqüente de Santo Anselmo, que nos ajuda a aprofundar ainda além a compreensão de um dos mais famosos argumentos da história da filosofia.

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    Davi Viana Magalhães picture
    Davi Viana Magalhães28/06/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Creio para Entender: A Fé que é dom de Deus e que busca entendimento

    "Não tento, Senhor, penetrar tua profundidade, pois a ela de modo algum pode comparar-se minha inteligência; mas desejo, na medida de minhas forças, compreender tua verdade, em que crê e que ama meu coração. Pois não busco entender para crer, mas creio para entender. Creio, com efeito, pois, se não crer, não entenderei." Anselmo entrou para a história do pensamento por conta de seu famoso Argumento "ontológico" (que prefiro chamar de Grandeza ou Máximo) defendido aqui nesse curto livro. Entretanto, o que mais me desperta atenção nessa obra é a fé e a devoção teológica em Anselmo. Anselmo nos remete à uma longa tradição Agostiniana que será amplamente defendida na teologia da Reforma (por isso que protestantes podem ler esse livro de Anselmo e sentirem enorme apreço e concordância): A Fé é o fundamento do conhecimento e não a conclusão dele. Nós buscamos entender mais as coisas de Deus porque primeiro amamos e cremos. Diferente de boa parte da Escolástica posterior e da modernidade que vai seguir o "entendo para crer", Anselmo (e Agostinho, e a Reforma) nos mostra que a verdadeira fé não é nascida de investigações de ordem natural, a fé é dom de Deus, vem Dele até nós! (Ef 2.8) Se cremos, primeiramente cremos porque Deus se revelou a nós, Ele brilhou sobre nosso coração para o conhecimento de sua glória na face de Cristo (2 Co 4.6). Nas palavras de Anselmo: "Ensina-me a buscar-te, mostra-te a quem te busca, porque não posso buscar-te se não me ensinas o caminho. Que eu te busque desejando-te, que eu te deseje buscando-te, que eu te encontre amando-te, que eu te ame encontrando-te. [...] Tu, portanto, Senhor, que dás o entendimento da fé, concede-me, na medida em que este conhecimento pode ser-me útil, compreender que tu existes, como o cremos, e que és o que cremos." O Deus que se revela em Cristo é também o Deus que nos concede o dom da fé, fé que responde em amor, e amor que busca conhecer cada vez mais aquele que é o Amado ♥️ Soli Deo gloria!

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    Anselmo de Aosta profile picture

    Anselmo de Aosta

    Anselmo de Cantuária (1033/1034, Aosta - 21 de abril 1109, Canterbury), nascido Anselmo de Aosta (por ser natural de Aosta, hoje na Itália), e também conhecido como Santo Anselmo, foi um influente teólogo e filósofo medieval italiano de origem normanda. Foi Arcebispo de Cantuária entre 1093 e 1109 (sucedendo a Lanfranco, também um italiano), por nomeação de Henrique I de Inglaterra, de quem foi amigo e confessor, mas depois divergiu com ele na questão das investiduras. É considerado o fundador do escolasticismo e é famoso como o criador do argumento ontológico a favor da existência de Deus.

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    Aosta, Itália

    Anselmo de Aosta