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    As Boas Coisas da Vida -

    Rubem Braga

    Record
    1989
    187 páginas
    6h 14m
    ISBN-11: 850103472X_
    Português Brasileiro
    3.9
    47 avaliações
    Leram87Lendo10Querem90Relendo0Abandonos1Resenhas4
    Favoritos3Desejados90Avaliaram47

    Um clássico na obra de Rubem Braga. Crônicas escritas para jornais e revistas, no estilo de prosas líricas, que obtiveram o reconhecimento literário apesar de serem publicadas em papel jornal. Obras que tornaram o gênero respeitado

    Edições (2)

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    Anthony Almeida26/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    As boas coisas do velho Braga

    Este Braga que acabo de ler veio de um sebo, passou pelos olhos e marcações do antigo dono, com as orelhas das folhas dobradas em algumas crônicas, e depois pelos olhos e letras duma amiga que o leu, grifou, escreveu notas e depois me presenteou, junto de um feliz aniversário. Se eu fizesse minha própria lista, como Braga faz na crônica que intitula a obra, ganhar livro de Rubem Braga certamente seria uma das boas coisas da vida, ainda mais desse jeito, cheio de mensagens e rastros de sua trajetória até chegar a mim. As boas coisas da vida é um livro de 1988, e é o último organizado por Rubem antes de sua morte, em 1990. Aqui vemos, de fato, o velho Braga, na casa dos seus setenta anos, já cansado e nublado. Está diferente do seu vigor de homem cronista de trinta e muitos, quarenta e poucos, quando já se auto intitulava velho, mas topava muitas vivências que o inspiravam a cronicar. E essas experiências foram fundamentais para sua obra, já que na crônica 'A mulher ideal', ele escreve que "fraca é a minha imaginação; não sei inventar nada, nem o enredo de um conto, nem o entrecho de uma peça; se tivesse imaginação escreveria novelas e não croniquetas de jornal..." e segue que a mulher ideal de seu exercício imaginativo, "saiu um pouco demasiado parecida com uma senhora desta praça". Rubem exagera sobre sua falta de criatividade, pois muitos textos deste seu último livro são bem bons. Mas, ao não andar tanto pelas ruas e, naturalmente, não topar mais encarar uma guerra como correspondente, que influenciaram seus textos nos bons livros 'A borboleta amarela' e 'Crônicas da guerra na Itália', seu temário passa a ser menos interessante. Suas narrativas são construídas principalmente sobre lembranças de infância e de amigos que ganham perfis, alguns póstumos. Comentários sobre livros folheados também são o corpo de alguns textos. Para não dizer que ele não é mais um caminhante, sua experiência entre a Praça da República e os trens urbanos, lotados de passageiros querendo ir para casa no fim do dia, rendem uma boa sequência de crônicas que mostram bem o estado de espírito do velho Braga. Ele acha melhor não reclamar do alvoroço, ainda que seja ranzinza com o calor. A solução contra a algazarra e a quentura é chupar uma laranja, já descascada, vendida por um sujeito com um carrinho. Chupar laranja, aliás, deveria ser uma das boas coisas da vida de Rubem Braga, e apareceria em sua crônica-título, se sua lista fosse um pouco maior. E é chupando laranjas e recordando pés de fruta, córregos, riachos, cachoeiros e mares, enfim, as coisas da natureza, que ele nos deixa contentes, da maneira mais simples, com essa obra que não foi feita para contar prosa, mas para mostrar que a felicidade, coisa boa de viver, muitas vezes, é uma suave falta de assunto entre dois cochilos, de preferência numa rede.

    4 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 47
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Rubem Braga profile picture

    Rubem Braga

    Biografia Iniciou-se no jornalismo profissional ainda estudante, aos 15 anos, no Correio do Sul, de Cachoeiro de Itapemirim, fazendo reportagens e assinando crônicas diárias no jornal Diário da Tarde. Formou-se bacharel pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte em 1932, mas não exerceu a profissão. Neste mesmo ano, cobriu a Revolução Constitucionalista deflagrada em São Paulo, na qual chega a ser preso. Transferindo-se para Recife, dirigiu a página de crônicas policiais no Diário de Pernambuco. Nesta cidade, fundou o periódico Folha do Povo. Em 1936 lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho, e fundou em São Paulo a revista Problemas, além de outras. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou como correspondente de guerra junto à F.E.B. (Força Expedicionária Brasileira). Rubem Braga fez diversas viagens ao exterior, onde desempenhou função diplomática em Rabat, a capital do Marrocos, atuando também como correspon­dente de jornais brasileiros. Após seu regresso, exerceu o jornalismo em várias cidades do país, fixando domicílio no Rio de Janeiro, onde escreveu crônicas e críticas literárias para o Jornal Hoje, da Rede Globo de Televisão. Sua vida como jornalista registra a colaboração em inúmeros perió­dicos, além da participação em várias antologias, entre elas a Antologia dos Poetas Contemporâneos.

    76 Livros
    149 Seguidores
    Espírito Santo, Brasil

    Rubem Braga