"Vai lá minha borboleta mágica, pois o que os olhos não veem, o coração sente"
- Sarah
Um livro que foi pedido pra ler pela minha escola, e que...
O livro possui uma narrativa delicada e profundamente humana, que transita entre as dores e as superações familiares, tendo como fio condutor a relação entre mãe e filha diante de um desafio devastador: a cegueira irreversível causada por um câncer. Ambientado em um contexto social simples, acompanhamos Mariella, uma menina de doze anos que sonha em ser bailarina, mas que vê seus sonhos e sua infância serem atravessados pelo medo, pela insegurança e pela ausência da visão física de sua mãe, Sarah.
A autora constrói, com sensibilidade, um cenário em que as emoções falam mais alto do que os sentidos físicos. A metáfora do título é refletida em cada capítulo: enquanto os olhos da mãe se apagam, é o coração de Mariella que precisa aprender a enxergar o mundo com maturidade precoce. As dificuldades financeiras, o preconceito e a solidão também surgem como obstáculos silenciosos ao longo da obra.
Zuquinha e Joaquim, os avós da menina, desempenham um papel fundamental, oferecendo não apenas suporte material/apoio, mas principalmente afeto e conselhos carregados de sabedoria popular e ternura, marcando uma forte presença da tradição oral e dos valores familiares.
“Os olhos não veem, o coração sente” é um livro sobre perdas invisíveis, coragens silenciosas e amores que não precisam ser vistos para serem sentidos. Angélica Sampaio nos lembra, com doçura e firmeza, que é no coração que guardamos o que os olhos jamais poderiam alcançar.
Classificação: +10