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    Ara -

    Ana Luísa Amaral

    Iluminuras
    2016
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788573214970
    Português
    4.4
    11 avaliações
    Leram12Lendo2Querem9Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos2Desejados9Avaliaram11

    Romance aqui (na escrita de Ana Luísa Amaral) é o empenho em vasculhar um gênero ficcional (seus tempos, suas personagens, seus lugares) que se ponha a expressar (com a propriedade que lhe couber nessa arriscada louça) a evidência de um mundo inominado e exíguo, fascinante: o da mulher – essa eterna questão de gênero. O que alarga o exercício de tal novelística para outros modos literários, conflitantes e afins: o verso, o teatro – o cinema de palavras? De maneira que todos os componentes dessa ficção se encontram (então) em estado de periclitância notável, visto que trabalham (amorosamente) em romance, no trânsito entre si e o alheio, para facultarem um idioma (um romanço?!) jamais praticado porque interdito, e outro – porque mudo. Cadê a matéria verbal para dar conta de nós, as mulheres? E, no entanto, dispomos apenas do mesmo e velho repertório de conjugações e pronomes simples (gramática, sintaxe, semântica, efeitos verbais, adjetivos, substantivos, interjectivos), do kit de uma tradição canonizada e estranha, para esculpir e rasgar, para parir a carne da nossa vida, a nossa letra própria. Para criar, na língua que usamos, um sentimento infalável. Sulcar essa matéria tão pisada, ará-la, lavrá-la, preparar-lhe outra cultura não é apenas um conforto explicativo ou uma lide botânica em que florescem camélias nos túneis das lembranças. O tempo corre, a escrita urge e faz-se um esforço maratonista para fabricá-la: alcançá-la antes que se esboroe. A língua de Ana Luísa é uma ocarina breve, um lume, uma pira acessa que aponta para o terceiro país (aquele onde nascem as japoneiras), o continente obscuro (dixit o dr. Freud) a minuciar. E daí que (sempre em grandes tornados) interrogue: afinal, o narrar tem dono?! Nela, tudo está em vez de, difusamente no avesso e em reverso, em hiato ambivalente, em entrelugar, em des-hibernação, em capicuas, em anagramas, em palíndromes. E isso é Ara: assentamento da antiga pedra do lar para uma nova casa comum e branda. Dela, se pode ver o mar travado, se podem ruir os longos penedos que oprimem, se podem ouvir os pios coloridos dos pássaros. Mas nada disso é arrimo. O esquema é inenarrável. Não há bolsas nem saltos (elegantes) de sentido. Nenhum recato entre folhas, caneta, caderno, mão, borracha, lápis, risco ou emendas em cima dessa mesa. Só o espanto produz a coisa de rasgar, o resto, a liga que lhes destrói a simetria. A jusante, a montante, num eclipse de lua, contra a fluência das águas (e sôbolos rios que vão), a língua de Ana Luísa Amaral falha contra o vento. Mas, ara! É só assim que se escreve! Maria Lúcia Dal Farra

    Edições (2)

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    Ana Pereira de Miranda13/11/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ara

    "Vergonha é não amar." Vergonha é conhecer a escrita de Ana Luísa Amaral somente agora. Uma pena chegar no Porto um mês depois de sua morte. Teria sido uma honra conhecer Ana.

    1 curtida

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    4.4 / 11
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas45%
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    Ana Luísa Amaral

    Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa em 1956, é doutorada em Literatura Norte-Americana (com tese sobre Emily Dickinson) e lecciona Literatura Inglesa no Departamento de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras do Porto. Iniciou-se em 1990 na publicação literária com a obra poética “Minha Senhora de Quê”. Seguiram-se “Coisas de Partir”, “Epopeias””, “E Muitos os Caminhos”, “Às Vezes o Paraíso”, “Imagens”, “Imagias” e “A Arte de Ser Tigre”. Escreveu também para a infância: “Gaspar, o Dedo Diferente e Outras Histórias” e “A História da Aranha Leopoldina”.

    9 Livros
    3 Seguidores

    Ana Luísa Amaral