Nos oito contos de “Paixões”, Pellegrini aprimora antigas técnicas, como em “A mulher dos sonhos”, um dos melhores contos do livro, no qual elabora em prosa a síntese poética de gestos, palavras e sentimentos extraídos do caudal desconexo em que se desenrola o cotidiano. Ao mento tempo, introduz novidades: nos contos “Crime e perdão” (a resistência política estudantil nos anos torturantes do governo Médici) e “Tempos de República”, Pellegrini dispõe os seus meninos, ainda ingênuos como em “O Homem Vermelho”, embora já envelhecidos. O enfoque da transgressão é abordado com tal segurança e maestria que a ironia corrosiva vertida nestes contos, ao contrário do que se pode pensar, acaba contribuindo para a realização de páginas impregnadas de humanismo e compreensão pelos seres fracos e sofridos, cujo único pecado é buscar angustiadamente o amor e a felicidade. Aprendemos com eles que sexo e revolução, sem ternura, são impraticáveis.
Paixões -
Domigos Pellegrini
Ática
1984
144 páginas
4h 48m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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