O Trapiche Eliezer Levy está entre os principais pontos turísticos na orla de Macapá. Essa obra o homenageia com crônicas escritas por ocasião de uma de suas mais importantes reformas, nos anos noventa, que o modernizou e trouxe nova perspectiva para o turismo na época.
A publicação teve tiragem modesta e simples em seu layout, contando com nove textos de escritores locais, também ilustrados por artistas da terra. Alguns são nostálgicos, com um saudosismo de Macapá de outros tempos, quando o trapiche tinha uma conotação de ponto de entrada da cidade e maior movimentação (nesse aspecto podemos citar os textos de Hélio Pennafort e Capiberibe). Outros são introspectivos, com uma reflexão sobre as efemeridades da vida, claro, tendo como testemunha o velho trapiche (Luli Rojanski, Corrêa Neto, Carlos Bezerra e Fernando Canto tem esse ponto em comum em suas crônicas). Vemos também o velho estirão e centopeia do rio (gostei desses termos!) associado a boemia da juventude de outros tempos (texto de Elson Martins), com um romantismo poético sobre a emancipação de uma ribeirinha (crônica de Vássia Silveira) e em um devaneio com conotação religiosa evocada pela pedra e imagem de São José (no texto de Márcia Corrêa).
Pena que esse trapiche não tem recebido a atenção e cuidados que merece e a poesia muitas vezes acaba ficando só na literatura mesmo.