Esta obra pretende mostrar que os termos de bem viver foram largamente utilizados como meio de saber/poder durante as últimas décadas do período imperial brasileiro, servindo como um instrumento discursivo produtor de identidades, principalmente a do 'vadio'. O discurso da vadiagem, nesse contexto, não diz respeito à exclusão do indivíduo tipificado, mas pelo contrário, refere-se à sua inclusão. Uma vez que o discurso pretendia construir uma adequação do indivíduo ao sistema de trabalho e à construção da unidade nacional, ou dizia respeito ao modo tradicional de vida que a elite queria eliminar, o instrumento disciplinar de termo de bem viver foi o corolário utilizado não somente pelo poder legal, mas por determinados membros da sociedade que se faziam representar em causa própria, no momento em que eles apropriam-se dos mecanismos jurídico-policiais para defender seus pequenos negócios ou causas.
A invenção da vadiagem
Eduardo Martins (Professor)
2016
193 páginas
6h 26m
ISBN-13: 9788580422566
Português Brasileiro
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