Re-trato -

    Charles Marlon

    Patuá Editora
    2016
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788582972847
    Português Brasileiro

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    Vivian de Moraes24/07/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Flashes de um escritor pós-moderno

    “Re-trato” (2016), terceiro livro do autor Charles Marlon, é um convite aos sentidos. Impresso em papel couché, oferece ao tato o alto relevo discreto dos poemas. O cheiro do livro é bom. E, para os olhos, basta ler um ou outro poema que logo se sabe que o que está sendo livro é poesia de grande originalidade e lirismo. Uma edição primorosa da Editora Patuá. O livro é dividido em duas partes, “Re-talho” e “Re-tratos”, mas a passagem se faz sem maiores alterações. Todos os poemas do livro vêm acompanhados de uma epígrafe e uma foto em P&B captadas pelo próprio Charles. Portanto, ao ler seu livro, vale e enriquece relacionar cada um de seus elementos para ter o todo do poema. A temática é urbana. As fotos são de coisas da rua. E a rua, mesmo aquela apenas imaginada pelo eu-lírico, é o grande tema desse livro. Ela é apresentada como um mosaico de detalhes que só um bom poeta pode reunir, e instiga pelo cosmopolitismo e pela beleza crua. A metáfora, no caso, é a observação da rua como a observação da própria vida, e há também em “Re-trato” poemas psicológicos. Esteticamente, os poemas são bastante belos em seus fracionamentos e enjambements. Ao compor cada um, Charles demonstra ter tido o cuidado de buscar uma linguagem ímpar: são versos com divisões silábicas da última palavra para se encontrar o resto fracionado no verso seguinte, e, até, em outra estrofe. Como exemplo, em “O termo” temos: “Desabalada a noite, permaneço no que se des- faz com o segundo que si- lencia e assessa – seguro – o furo a que costumam chamar futuro. Desaba a- quilo que permanece ruína [...] A capa do livro mostra o que parece serem marcas de pés, pegadas, mas quando se mergulha a atenção aos detalhes, dá para perceber que são três pessoas vistas de baixo, como se estivéssemos num subsolo de vidro. As sombras dessas pessoas são borradas, e no livro, também fica difícil ver o “outro”. “Re-trato” é um livro aparentemente confessional, mas a interferência do autor no eu-lírico que ocorre nesses casos é uma senha para o leitor, especialmente o leitor de uma grande cidade, acessar retalhos de si próprio no mundo à sua volta.

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