A ironia no conto “Eterno!” de Machado de Assis está na sujeição do “amor eterno” à realização de uma condição prática e social: que o protagonista se forme “doutor” para poder se casar com Sofia, a quem alegava ter amor eterno. Essa exigência retira a idealização do amor como algo puro e incondicional, submetendo-o a uma barganha material e social. Machado, com sua habilidade de retratar as contradições humanas, usa essa situação para ironizar a fragilidade do conceito de amor eterno, que, no caso, não depende apenas do sentimento em si, mas de algo externo e concreto — o status social do protagonista. Assim, o “eterno” não é apenas transitório, mas também condicional, o que desmonta a grandiosidade romântica da promessa inicial. A própria aceitação dessa condição pelo protagonista já sugere um amor que não é tão “elevado” como se declara, mas sim submetido às conveniências e exigências do mundo real. Isso reflete a crítica social de Machado, que mostra como valores como amor e paixão são frequentemente moldados ou até desvalorizados pelas expectativas sociais e materiais da época.


