Entender que o papel do livro também entretenimento às vezes é um pouco complicado, mas, em certa medida, necessário em ser frisado levando em conta determinados contextos, principalmente quando alguém tem a predisposição a apontar somente as críticas de uma história. “A Procura de Alguém” é um livro que tem um característico estilo de escrita de um romance Jovem Adulto erótico. Essas narrativas são bem identificáveis, e especialmente tem um nicho comercial bastante lucrativo, muito embora, em termos literários, essas histórias não sejam um primor de escrita, ou tenham algum trato, ou refino literário. Publicado em 2013 e escrito pela conhecida autora estadunidense Jennifer Probst, “A Procura de Alguém” é o primeiro livro de uma série de livros da autora que se encaixa nessas características. Vícios e virtudes de um enredo que cumpre a sua função: entreter o leitor.
O livro conta a história de Kate Seymour e Slade Montgomery. Kate é uma mulher de seus 28 anos, dona da agência Kinnection, onde as pessoas buscam relacionamentos amorosos, e que fica numa cidade interiorana de Nova York (estado) chamada Verily. Slade, 33 anos, advogado especializado em divórcios entra na vida de Kate a partir do momento que a sua irmã, Jane Montgomery decide morar sozinha e procura a Kinnection em busca de um novo relacionamento. Slade, preocupado com a irmã, decide investigar a agência para saber se a irmã não seria enganada (ele também tem um instinto superprotetor). Os dois se sentem atraídos logo de cara. E essa atração física entre Kate e Slade causa “choques elétricos”, história de uma coisa que beira a ideia de que “os opostos se atraem”. Típico clichê.
Kate e as suas amigas; Kennedy e Arilyn comandam a Kinnections e proporcionam as pessoas encontros para descobrirem as suas “almas gêmeas”. Ao entrar de cabeça nessa saga, Slade tem o pacote completo. Uma mulher que o enfrenta e uma busca pelas pessoas erradas até achar a “correta”. Nesse embate de Slade e Kate, eles vão descobrindo que a atração sexual que sentem um pelo outro era uma coisa quase incontrolável. Nesse momento a linguagem muda e o tom se torna quase explícito. Da metade para o final temos a Kate, uma mulher virgem que passa a “segurar o tesão” por medo de se envolver romanticamente, e Slade, o homem que a provoca e a atiça sexualmente de todas as formas possíveis. E tome clichês sexuais e enrolação básica.
Eu particularmente me surpreendi, pois na minha cabeça esperava uma narrativa jovem adulta de um clichê romântico comum. Mas na verdade o que eu encontrei foi um romance picante/explícito de fazer rir, e sendo justo, em determinados momentos refletir sobre relacionamentos. Eu sempre tento levar esse tipo de narrativa erótica na esportiva, ou seja, sem chance alguma de levar a sério. Entre críticas e deveres, entendo que o livro é mediano e se preocupa mais em entreter o leitor. Narrativa que não tem pretensões altas, apenas se limita a linguagem viciada, mas coerente com o gênero. Não deveríamos esperar floreios, nem reviravoltas de enredo. Senta-se e simplesmente se tenta ler comprando a ideia de mais se divertir e passar o tempo do que levar “muito a sério” a história. Esse livro é um prato feito pra leitoras famintas. Erotismo e um romance clichê que vende como água, e comumente vai atraindo a curiosidade de leitoras acostumadas a esse tipo de gênero literário.
Sinceramente eu gostei da distinção entre o amor e a atração (sexual) que a narrativa faz. Também gostei da história da adoção do cachorro deficiente de Kate, o fofíssimo Robert. Essa história tem algumas pontinhas soltas, mas cumpre o papel de proporcionar aos leitores entretenimento, risadas e um clichê que no final das contas se resolve e se fecha. Muitas das vezes precisamos nos despir de pré-julgamentos e fazer meias culpas antes de criticar qualquer obra. Eu não poderia esperar mais do que uma narrativa comum, com as características que são comuns ao gênero em um enredo clichê, que também é comum ao gênero. Ou seja, uma história nada demais, nada de menos. Simples entretenimento.