Considerações sobre a arte de viver - Antologia

    Jiddu Krishnamurti

    A. Duarte
    2005
    222 páginas
    7h 24m
    ISBN-13: 9789382203834
    Português

    Desde os anos vinte do século passado até os oitenta do presente, Krishnamurti viajou pelo mundo todo até á idade madura de 91 anos, sempre a dar conferências, a escrever, a dialogar com eruditos e religiosos, ou então a reunir-se em silêncio junto de homens e mulheres que buscavam a sua presença compassiva e curativa. Os seus ensinos não se baseavam no conhecimento livresco nem na erudição mas na sua compreensão intuitiva da condição humana e na sua percepção do sagrado. Ele não expunha nenhuma filosofia mas reportava-se antes a factos do viver diário que dizem respeito a todos nós- os problemas concernentes ao viver numa sociedade moderna com a sua corrupção e violência, busca individual por segurança e felicidade, e da necessidade do Homem se libertar dos jugos internos da raiva, da ganância, do medo e da tristeza. Krishnamurti viveu ao longo da mais tumultuosa parte de um século que viu duas guerras mundiais, o despoletar do átomo, o rompimento de diversas ideologias, a destruição selvagem da terra, e da degeneração de todos os aspectos do viver humano. Tratou-se também de um século que foi capaz de reclamar um progresso fenomenal nos mais variados campos tecnológicos. A visão profética de Krishnamurti preveniu-nos com relação a eventos largamente adiantados no tempo. Décadas antes que pudéssemos ter noção do perigo que o planeta corria, ele já vinha a exortar as crianças da escola a cuidarem da terra e para agirem com delicadeza no que lhe concerne. Lá pela década dos 70 ele perguntava: " Que acontecerá aos seres humanos se o computador tomar a seu cargo as funções do cérebro?" Aquilo que mais impressiona na abordagem de krishnamurti, contudo, é que, ao mesmo tempo que se dirigia às questões sociais, políticas e económicas da altura, as suas respostas radicam numa visão sem tempo sobre a vida e a verdade. Ele mostrava que, por detrás de cada problema reside o "criador" desse problema, e até que ponto a fonte de todo o conflito e violência residem na mente humana. Ele não apresentava “soluções à medida” para estas questões contemporâneas, pois percebia com clareza que não passavam de sintomas de um mal estar mais profundo que reside embutido na mente e no coração de todo o ser humano. Apesar de ser reconhecido tanto no Oriente como no Ocidente como um dos maiores líderes espirituais de todos os tempos, Krishnamurti não pertencia a nenhuma religião, seita ou país. Tampouco subscrevia ele qualquer escola de pensamento, político ou ideológico. Ao contrário, sustentava que isso constitui factores que dividem o homem e produzem o conflito e a guerra.

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