Caminhos da redenção -

    Lázaro Chaves

    Independente
    1998
    210 páginas
    7h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A leitura de Caminhos da Redenção permite recolocar em circulação um velho conceito de Buffon: “O estilo é o homem”. E dou ao termos estilo um sentido muito mais amplo do que lhe consignam os dicionários. Tenho que estilo não é apenas o modo particular e peculiar de lidar com as potencialidades da linguagem: é a maneira inconfundível de selecionar, tratar e equacionar os grandes problemas da existência. Decorrência inevitável desse estilo forte de Lázaro Chaves é a variedade dos temas por ele enfrentados, de modo a se poder aplicar aos seus textos a catalogação de miscelânea, sem nenhum sentido depreciativo. Lázaro Chaves, de formação racionalista e cartesiana, lida melhor com a exposição de feição universitária do que com os temas ficcionais. Aliás, ele próprio reconhece a imprecisão dos limites dos conteúdos ditos literários (crônicas, poemas) dos outros que eu diria denotativos, jornalísticos, polêmicos, doutrinários e até confessionais. Certa vez me interroguei numa longa exposição: “Para que(m) escrevemos?” - e cheguei a uma consoladora resposta: “Para nós mesmos”. Argumentei que o escritor é seu melhor leitor, porque ninguém o excede em atenção para com o próprio texto, em carinho e reconhecimento de recônditas intenções. A observação também há de valer para os escritos de Lázaro Chaves; neles, o autor se mostra e faz um inventário tão completo quanto possível de seus anseios, suas angústias e suas aspirações, de sua visão de mundo, enfim. Mesmo tendo privilegiado o como e não o que na produção de Lázaro Chaves, com isso eu não quis dizer que minha preocupação de análise da obra se haja centrado nos processos e não nos temas. Entre estes me foram de leitura particularmente interessada: “Aforismos da modernidade”, “Uma pequena cidade”, “Sonho com novas harmonias”, “Amor e humanismo”, “Deus faz tudo pelo melhor”, “Minha vida” - o que muito dificilmente coincidirá com as preferências do próprio autor. Mais uma vez ficará provado que todo o texto tem algo de “obra aberta”, na consagrada observação de Humberto Eco. E exatamente essa reinvenção ou reinterpretação que o leitor elabora a partir do alheio escrito é que dá diferentes destinos a tantos livros de valor. São José do Rio Pardo, 1 de abril de 1998 Márcio José Lauria

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