I hate the internet - A useful novel against men, money, and the filth of instragram

    Jarett Kobek

    We Heard You Like Books
    2016
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-10: B0198RBAGI

    What if you told the truth and the whole world heard you? What if you lived in a country swamped with Internet outrage? What if you were a woman in a society that hated women? Set in the San Francisco of 2013, I Hate the Internet offers a hilarious and obscene portrayal of life amongst the victims of the digital boom. As billions of tweets fuel the city's gentrification and the human wreckage piles up, a group of friends suffers the consequences of being useless in a new world that despises the pointless and unprofitable. In this, his first full-length novel, Jarett Kobek tackles the pressing questions of our moment. Why do we applaud the enrichment of CEOs at the expense of the weak and the powerless? Why are we giving away our intellectual property? Why is activism in the 21st Century nothing more than a series of morality lectures typed into devices built by slaves? Here, at last, comes an explanation of the Internet in the crudest possible terms.

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    Diêgo Laurentino24/05/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Desmistificando a internet

    O combate ao mito da neutralidade ideológica da tecnologia pode ser citada como a pedra angular de I Hate the Internet. Nesse caminho, porém, um outro mito contestado, que talvez seja ainda mais forte na visão de quem não é morador estadunidense, seja a ideia da internet como uma formação abstrata, sem donos nem regras ou nacionalidade: a internet mostrada no livro - e claramente odiada - é a internet dominada por uma dúzia de empresas do Vale do Silício, por sua vez comandadas e possuídas por algumas dezenas de bilionários e milionários norte-americanos. E tudo é organizado de modo que cada ato que você realiza na internet sirva para que algum desses "granfinos" embolse mais dinheiro - até essa review que eu escrevo agora e você lê. Cada "like", cada "view", cada filtro de protesto do Facebook vai, de uma forma ou de outra, ser transformado em dinheiro para acionistas e investidores das "tech firms" - ou pelo menos é essa a realidade construída no romance. Não podemos ser inocentes a ponto de acreditar que todos os fatos e hipóteses expostas por Kobek são reais - é tudo literatura, e a obra literária, assim como qualquer obra de arte, nunca corresponde perfeitamente a realidade -, mas o que o romance nos oferece é uma construção distanciada da realidade, de onde nós, como leitores, podemos experimentar um mundo proposto, diferente, e através dele chegarmos a termos com o nosso próprio mundo. A ironia sutil de Jarett é uma companheira presente na maior parte das "276 páginas de mainsplaining", como descreve o próprio autor, permeando uma linguagem visivelmente próxima a encontrada em "textões de facebook". Os padrões repetitivos, as explicações banais e os desvios aparentemente sem sentido dos tópicos preenchem as páginas organizadas ao redor de alguns meses na vida de Adeline - a.k.a. M. Abrahamovic Pretrovitch, a.k.a. Marina Abramovic - uma desenhista de histórias em quadrinho vivendo em São Francisco entre 2013 e 2014, que acaba cometendo "o único pecado imperdoável do século 21". Ao lado dela, temos seus amigos, Jeremy Winterbloss (a.k.a. J. W. Bloss), J. Karacehennem (cujo sobrenome significa "Inferno Negro" em turco) e Christine (que reza para os fundadores do Google), além de diversos outros personagens que cruzam direta ou indiretamente o caminho de Adeline, ou surgem das divagações do narrador, com suas próprias subtramas e suas divagações sobre o mundo, que de alguma forma se adéquam ou corroboram os pontos de vista do narrador. No fim, há uma conclusão curiosamente surreal para uma obra que propõe uma experiência tão ajustada a realidade, que funciona como um certo choque nos lembrando da inerente ilusão da literatura, não importa o quão realista ela nos pareça - realismo que nesse caso imita menos biografias e textos de jornais, como o realismo do século 19, e mais o ritmo e padrões dos usuários de redes sociais - é tudo uma farsa. Que de nada impede da obra nos fazer refletir profundamente sobre nossa própria realidade.

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