Maria Adelaide Coelho da Cunha: Doida Não e Não! -

    Manuela Gonzaga

    Bertrand
    2011
    417 páginas
    13h 54m
    ISBN-13: 9789722518499
    Português

    Não há manicómios, não há cadeias, não há leis, não há homens que nos separem; porque quanto mais imaginam fazê-lo, mais nos aproximam. Quando dois entes sofrem um pelo outro o que nós temos sofrido, apenas a morte tem esse poder, e para isso é necessário, ainda, que alêm da morte nada exista. Maria Adelaide Coelho, filha e herdeira de Eduardo Coelho, fundador do Diário de Notícias. Mulher do administrador do mesmo jornal, o escritor Alfredo da Cunha. Presa num manicómio por um "crime de amor".

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    Ricardo Silvestre27/09/2025Resenhou um livro
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    Mulher de metro e meio…

    Apesar de medir apenas um metro e meio, Maria Adelaide foi uma mulher destemida. De convicções fortes e espírito livre, decidiu escolher a felicidade mesmo que isso implicasse desafiar as convenções da época e enfrentar a própria família. A sua história de vida é surpreendente mas a forma como esta biografia foi construída deixou-me um pouco dividido. A autora escolheu um formato narrativo que mistura trechos originais em terceira pessoa com passagens em discurso direto ou na primeira pessoa. O resultado? Um texto de ritmo irregular e algo confuso. Exemplo: “Quanto às duas primeiras partes — levantamento da interdição e consequente doação de todos os seus bens ao filho —, Alfredo da Cunha declara que «exorbitavam» a sua alçada, tratando-se de uma decisão «mais para ser tomada pelo José do que propriamente por mim».” Ou ainda: “Em 1923, no prefácio do livro Doida não e não!, Maria Adelaide justifica o aparecimento desta obra […] como a realização «do seu sonho não direi doirado porque do oiro já esqueci a côr, mas um sonho que nunca julguei ver tornado realidade».” Pode ser uma questão de gosto pessoal, mas para mim esta mescla de vozes quebra o ritmo narrativo e dificulta a leitura. Contudo, não posso negar todo o trabalho de pesquisa feito pela autora. É surpreendentemente vasto. A forma como tudo foi transferido para o papel é que não foi do meu total agrado.  Ah, e uma curiosidade: será que o Palácio de São Vicente, em Lisboa, pode ser visitado? E o Hospital Conde de Ferreira, no Porto? Irei investigar…

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