O sonho de ser mãe. Se você tem ou não isso deveria depender de você escolher, mas sabemos que a vida não é assim. Teté jamais imaginou que não podia ser mãe, ela pensou como toda mulher que quando quisesse ser, pararia de se cuidar e pronto. Mas assim como tantas outras ela descobre abortando espontaneamente que não pode gerar um filho e se vê com seus sonhos vinculados a ter um filho se esvaindo por causa dessa notícia. Ela tinha um bom emprego, um marido compreensivo e uma mãe participativa, mas ser mãe lhe deixaria completa. Começa aí uma peregrinação por médicos especialistas em fertilização e em tratamentos que a deixam muito nervosa, ansiosa e tomando injeções na barriga a todo minuto.
Teté, jornalista, moradora de diferentes cidades do mundo, se vê no seu maior desafio: ser mãe. A cada mês que a menstruação desce e que ela não tem sucesso nos tratamentos, por todas as vezes que achou que seria fácil realizar seu sonho, ela se sente triste mas não desiste. E aí iniciam várias pesquisas...primeiro se inscrevem para adoção, depois finalmente decidem o que é o nome do livro: ter suas duas meninas.
A forma escolhida não aceita por todos até hoje - a história se passa em 2013- a barriga de aluguel. Sim, anos atrás uma novela com Claudia Abreu e Cássia Kiss trazia o tema, muitos discutiram afinal de quem era o direito de ter o bebê no ano de 1991, o final escolhido foi um pouco surreal : o pai interpretado por Victor Fasano sela a paz entre as duas mães - a que gerou e que aguardava o bebê, papel que seria de Teté- dando a entender que as 2 seriam mães dele.
Decididos a pagarem a cara quantia para uma mãe indiana gerar o bebê deles, Teté e Sergio o fazem sem avisar a família. Achei muito interessante a entrega da jornalista em nos explicar tudo que sentiu e mostrar como a lei da Índia é diferente da nossa, a cultura a gente já sabia pelas novelas, filmes e estrangeiros que volta e meia nos visitam ou que vemos em viagens a Londres ou cidades americanas.
Lá existe uma clínica especializada em barrigas de aluguel, as mães tem que ter entre 21 e 45 anos e serem casadas, já terem pelo menos um filho para poderem ser pagas para gerarem bebês de terceiras, é um negócio lucrativo. E com a pobreza habitual indiana muitas mulheres se inscrevem para terem como trabalho essa função.
Teté nos faz mergulhar nas dúvidas das mães de primeira viagem, embarcamos nos medos e nas delícias de quando ela vê as filhas Cecilia e Rita pela primeira vez. É muito mais do que apenas uma história com final feliz, é o amor de uma mulher por suas filhas, antes mesmo de conhecê-las.
Adorei essa leitura, recomendo a todos.