Meu segundo livro de John Saul, logo em sequência do primeiro, e posso entender porque ele não fez sucesso.
A idéia é boa, realmente, e nas mãos de algum autor mais talentoso ( ou mais disciplinado) teria feito uma ótima estória.
Apesar de estar situado no que eu chamo de "o lado religioso chato dos romances de terror", a idéia de um culto de fanáticos inquisidores causando uma histeria coletiva semelhante à hipnose - e suas consequências -poderia de fato ser interessante, um enredo com atmosfera e empatia.
Mas o que Saul consegue fazer com essa boa idéia?
A primeira metade do livro é um tédio infinito, só não abandonei o livro porque sou insistente e, afinal, havia sentido na estória. Depois achei várias incongruências de plausibilidade ( sou muito chata com isso) as quais não posso citar sem dar spoilers, mas que se de repente alguém ler pode identificar algumas cenas onde as coisas se passam de modo bem improvável, e uma cena digna de revirar o estômago - e essa não foi a intenção do autor naquele momento. Além dos vaaaaaaaarios momentos em que nada justifica que Peter Balsam simplesmente não fizesse sua mala e partisse daquela cidadezinha careta parada no tempo.
O suicídio é tratado ao mesmo tempo como algo muito grave e muito leviano. Os estereótipos das garotas populares e de Marylin, vítima do bullying, são rasos e também inconsistentes. Todos os personagens são fraquinhos, o mais interessante, o Monsignor Vernon, recebe pouca atenção em um enredo repleto de encheção de linguiça e muitos núcleos cheios de personagens decorativos pra administrar.
Enfim, como eu disse, nas mãos do Peter Straub, por exemplo, seria um livro digno de ser lido. Como é, é só mediano e chato.
PS: uma coisa que apreciei até agora, no que li de Saul,é que ele não tende a bondade, à revelia de um bom enredo, como muitos. Surpreendentemente, do final do livro eu gostei.