Fazia muito tempo que eu não me encantava por um livro como me encantei por Açúcar de Melancia, e quando acabei indiquei pra todas as pessoas que eu pude. Meus olhinhos brilhavam toda vez que eu falava desse livro. Sendo assim, o que eu tenho pra apresentar aqui, é menos uma resenha e mais uma trajetória minha com açúcar de melancia.
Vamos lá, conheci o livro por causa de Harry Styles, mas veja bem, os dois chegaram na minha vida quase que simultaneamente. Eu nunca fui ligada à One Direction (a antiga boyband de Harry Styles), apenas não era algo da minha geração - tive minha cota de boybands no passado (BSB, N*SYNC, geração noventista). Depois a boyband acabou, Harry lançou seu primeiro album que também não tangenciou minha vida, até que dezembro de 2019 ele lançou o segundo e por indicação de amigos, comecei a ouvir. Gostei muito da sonoridade e rapidamente se tornou o álbum que eu mais ouvi no final de 2019 e nos primeiros meses de 2020. Quando gosto muito do artista ou de seu trabalho, vou logo procurando as referências, me interesso em saber exatamente o quê fez com que alguém tivesse tais visões, ideias, inspirações. E harry Styles falou, em mais de uma ocasião, que Açúcar de Melancia tinha sido uma das inspirações do seu CD (ele inclusive tem uma música com esse nome – Watermelon Sugar).
Ok, agora entra a parte do livro: Ao saber disso, e no começo da quarentena (segunda ou terceira semana de março), tratei de comprar pela internet o livro, comprei numa sexta e chegou na segunda, eu quase devorei de uma vez. Fiquei tão empolgada que comprei outra obra do autor que vende no Brasil - Como pescar truta na américa, que começou a ser vendido aqui em 2019.
Quando terminei procurei resenhas, fiquei com aquela sensação de querer debater sobre isso com alguém. Achei só um vídeo no youtube a respeito, não abordava nada de importante, vi algumas resenhas aqui do skoob, todo mundo achando a escrita infantil e achando que o livro era pra crianças. Fiquei um pouquinho decepcionada, e senti que precisava fazer justiça pelo livro incompreendido, hahaha.
Bom, acho que talvez ainda nem seja capaz de organizar meus pensamentos a respeito da obra. Vamos em partes:
O autor foi uma grande influência para o movimento hippie, que o venerava e mantinha suas publicações em suas mesas de cabeceira – como eu li em algum lugar – no entanto aparentemente o autor desprezava a comunidade hippie que emergia a epoca, a retratando em suas obras de forma marginalizada -isso fica claro 3m Açúcar de Melancia.
A outra coisa é: açúcar de melancia é um livro nonsense. Sem sentido em alguns momentos, mas extremamente sensível em outros. Em diversas passagens o livro descreve graficamente uma emoção, algum acontecimento, alguma problematização que ele quer que o leitor faça, isso é explícito de uma maneira visual, mas ele não vai te contar isso em primeira pessoa.
Outro ponto: talvez pela temática nonsense eu acabei achando a escrita bem parecida com Douglas Adams (Guia do Mochileiro das galáxias)
Enfim, se posso encerrar essa “trajetória” com uma dica, é: não tente decifrar o livro inteiro. Leia com a cabeça aberta, vai ter momentos em que ele vai comunicar mais com você e você vai enxergar além do que está escrito, e vai ter momentos que você vai falar “que viagem cara kkk”, o melhor de tudo é isso, o livro ainda tem um tom super levinho de humor, não aborda nada de uma forma que possa servir de gatilhos para alguém. Não é uma obra pretenciosa, mas faz questionar protocolos desnecessários que nos impomos enquanto sociedade, e que a vida pode ser mais simples.
No fim do livro tem uma nota da editora contando um pouco o trajeto literário do autor e explicando alguns pontos principais da obra, como a questão da euMORTE e o ID, ego e superego, mas esse é um tema que eu não domino muito para falar a respeito aqui, apenas achei que é um aspecto que agrega na interpretação do livro.
Ler esse livro foi como um suspiro de alívio na quarentena.
Recomendo para todas as pessoas que queiram ler uma coisa levinha e ainda assim se sentir entusiasmado por ter se emocionado.
Gatilho: uma personagem se suicida, mas isso é praticamente narrado da maneira que narrei agora, não faz o leitor passar por nenhum desconforto.