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    Passagens - da Literatura à Psicanálise, via Direito

    Filipe Pereirinha

    Empório do Direito
    2016
    155 páginas
    5h 10m
    ISBN-13: 9788568972731
    Português Brasileiro
    4
    1 avaliação
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    Se dizer ou escrever tudo é impossível, como mostram quer a psicanálise quer a literatura, há algo no entanto que resta do esforço: passagens. O termo é equívoco, múltiplo. Ele assinala a encruzilhada onde confluem, isto é, de onde partem ou onde chegam, as diversas passagens que formam a trama deste livro: passagens literárias, sem dúvida, mas também passagens aéreas, passagens do tempo, inúmeras passagens de um lugar para outro, sobretudo entre Portugal e o Brasil, pois vários textos resultam de comunicações apresentados neste último país, graças ao privilégio que me foi concedido de participar, ao longo de vários anos, das Jornadas de Direito e Psicanálise, promovidas pelo Núcleo de Direito e Psicanálise (NDP), na Universidade Federal do Paraná. Este livro é, assim, um cruzamento de passagens diversas. Mas o título nasceu de uma pergunta bem concreta: Já tem as passagens? Não, nessa altura ainda não tinha as passagens. Ei-las, finalmente. Que alguma coisa passe através delas é o desejo que anima este livro. Se bem que diversas, há um fio condutor que as liga: o ensino de Lacan. Foi ele que me orientou na psicanálise que fiz ao longo de vários anos, enquanto analisando, é ele que agora me orienta na minha prática como psicanalista. Mas o psicanalista não existe sempre, não opera sempre. Por vezes, alguma coisa passa. Há passagens.

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    Paulo Silas Taporosky Filho picture
    Paulo Silas Taporosky Filho20/01/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Passagens" é um livro que fornece exatamente, e na mesma ordem, aquilo que consta em seu subtítulo. A literatura e a psicanálise aparecem com ênfase nas tratativas do autor, perpassando por vezes o direito como elemento que auxilia nas tantas reflexões e críticas propostas. Reunindo diversos textos do autor, publicados ou escritos por ocasião de eventos, revistas e publicações outras temáticas, a obra oferece um verdadeiro passeio entre a psicanálise e a literatura, questionando coisas, refletindo a palavra, pensando a escrita, apontando para os ditos e os nãos ditos da fala. Enfim, um bom livro que reúne com sucesso temas distintos, prezando por uma verdadeira interdisciplinaridade. Dentre as tantas abordagens constantes na obra, há o trabalhar em Coetzee e a questão da incompreensão que é extraída do romance "Desonra", o refletir sobre os nomes a partir de José Saramago, a análise de Shakespeare em seu "O Mercador de Veneza", o estilo da escrita de Clarice Lispector e as reflexões sobre a linguagem a partir disso, o âmbito da letra - que supera o domínio da literatura - quando da leitura de um conto de Herman Melville e muito mais. A literatura aparece sempre como uma base, uma espécie de ponto de partida, a partir da qual o autor estabelece o seu olhar clínico e propõe as leituras reflexivas a partir da psicanálise. Eventualmente o direito também surge nesse discurso com o fito de corroborar ou incrementar os diálogos propostos. Daí que se diz que o subtítulo da obra aparece em ordem do que se tem de fato em seu conteúdo. Como aponta o autor na introdução do livro, existe "um ponto de interseção entre a psicanálise e a literatura: são ambas ". É a partir disso que a letra, em sua prática, ganha conotação própria que supera a sua constituição escrita. Para além dos já mencionados autores da literatura que estão presentes no livro sob a análise de Filipe Pereirinha, tem-se ainda Guimarães Rosa, Sófocles, Kafka, Fernando Pessoa e alguns outros que são muito bem tratados, tendo-se a constante de Freud e Lacan para a contribuição salutar da psicanálise nessa excelente obra. Um ótimo livro interdisciplianar de literatura, psicanálise e direito, portanto.

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