Marian is determined to be ordinary. She lays her head gently on the shoulder of her serious fiancee and quietly awaits marriage. But she didn't count on an inner rebellion that would rock her stable routine, and her digestion. Marriage a la mode, Marian discovers, is something she literally can't stomach ...The Edible Woman is a funny, engaging novel about emotional cannibalism, men and women, and desire to be consumed
The Edible Woman -
Margaret Atwood
Edições (2)
Ver maisPrimeiro romance de Margaret Atwood a ter um alcance considerável no mercado e lançar sua genialidade ao público que hoje a admira - quase com unanimidade - como uma das mais relevantes escritoras e intérpretes de nosso período histórico. A primeira versão foi escrita em 1965 e publicada em 1969, 20 anos antes de 'A política sexual da carne'; tema não-tão-sutilmente abordado aqui. A história gira em torno de Marian, mulher jovem, recém graduada e já inserida em um emprego que considera bom e sólido o suficiente para o resto de sua vida, pensando a partir de sua perspectiva feminina e pela dificuldade de se encontrar um cargo a altura de sua inteligência e capacitação: trabalha em uma empresa de análise de produtos e os limites de suas funções são dúbios, deveria ser responsável por formalizar questionários de avaliação, grupos focais e pesquisas de opinião, mas na prática realizar o serviço de diversos de seus colegas menos capacitados, como por exemplo aplicação de questionários - assustador o quanto isto é atual. Divide um apartamento simples, espécie de pensão liderada por uma megera-educada-guardiã-dos-bons-costumes que mora no primeiro andar, com uma colega também recém graduada que oferece um contraponto interessante a sua visão engessada de mundo: Ainsley sonha em trabalhar com arte de uma forma abstrata e em constante transformação, ocupa um emprego de fome em uma empresa que conserta escovas elétricas, seu hobby é ler paperbacks de antropologia e psicologia e (re)inventar a si própria de acordo com as teorias que ali enxerga. Participa de um crescente movimento feminista radical, embora a palavra não seja mencionada nenhuma vez durante o livro. Logo nas primeiras páginas somos apresentados a Peter, último dos solteiros de seu grupo e atual namorado de Marian; por uma série de acontecimentos que não são exatamente controlados por nenhum dos dois o relacionamento se formaliza em um noivado que leva a protagonista a perder, paulatinamente, o controle sobre as próprias decisões e sobre o próprio corpo. O encontro com Duncan, universitário jovem, ingênuo e problemático serve como catalisador do processo de autoconhecimento que leva a protagonista a mudanças radicais em seu próprio comportamento alimentar e na forma com a qual enxerga o mundo que lhe cerca. As críticas a dominação do corpo como forma de dominar a mente são tão explícitas quanto possível no período, e a ideia do corpo que se rebela contra a vontade de sua mente, inicialmente se recusando a ingerir carne, chegando ao [*****]mulo de não aceitar nada que aparente ser minimamente vivo até alcançar um ponto onde Finalmente aconteceu. Seu corpo se rebelou contra si mesma. O círculo das comidas possíveis diminui a um ponto, um minúsculo ponto negro, fechando qualquer possibilidade do lado de fora são geniais e bem anteriores a qualquer obra acadêmica que já tenho lido que toque no mesmo tema - admito minha ignorância sobre o tema e agradeço por quaisquer fontes que rebatam está afirmação. A resolução vem quando Marian toma as rédeas da própria vida e, em um movimento um tanto quanto antropofágico, oferece um bolo-de-si para o noivo com uma rápida sentença onde demonstra sua repugnância a toda a sociedade patriarcal nele representada. Sem ousar tocar no bolo, ele se levanta e a protagonista, aos poucos, volta a ocupar os contornos de si. Empoderamento em sua mais sólida representação. Digno de nota que Margaret, no prólogo da edição de 1969, caracteriza a obra como proto-feminista em oposição a feminista, não por falta de paridade temática, mas pelo deslocamento histórico da publicação: em 1965 durante a escrita o termo e o alcance do feminismo no território no Cánada eram bastante limitados e o movimentou só começa a ganhar corpo a partir de 1969. Não sou de acreditar em coincidências e creio que a importância desta obra neste contexto não deve ser menosprezada e merece posição de destaque dentro da produção de Atwood.
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