"Demanda" é uma obra resultante da reunião de diversos textos de Jean-Luc Nancy que abordam temáticas direta ou indiretamente ligadas a literatura e/ou a filosofia. Talvez seja o caso de mencionar apenas a literatura enquanto tema presente nos artigos que compõem a obra, uma vez que a filosofia já é a área do próprio autor. Seja como for, fato é que os textos articulam variadas questões sobre a obra literária, sobre a narrativa, sobre o ato de escrever, sobre a leitura, enfim, sobre a literatura em geral, o que é feito sempre por meio de reflexões filosóficas que repercutem no pensar e repensar sobre os temas literários.
São mais de 350 páginas que contam com vários textos do autor, tendo sido divididas em quatro grande partes, além ainda de uma espécie de apêndice que funciona como uma quinta parte divisória. "Literatura", "Poesia", "Sentido", "Parodos" e "Coda" - assim são intituladas cada uma das partes, cada qual contando com pouco mais que 5 textos ou capítulos cada que abordam questões que o título muitas vezes sugere o tema, tais como "Da obra e das obras", "Para abrir o livro", "Cálculo do poeta", "Fazer, a poesia", "Responder pelo sentido", "Exclamações" e "Demanda". Tem-se assim uma obra plural que ao mesmo tempo possui um ponto bem definido e seguido.
Na apresentação, Ginette Michaud menciona ser incontestável o fato de que Jean-Luc Nancy, por mais tenha se dedicado a escrever sobre temas como o corpo, a comunidade e a adoração em sentidos próprios, também "frequentemente foi conduzido a escrever sobre motivos literários e que várias linhas de fundo de seu trabalho se direcionam à escrita da ficção e de modo mais geral à ficção infinita que constitui, para ele, o sentido". Trata-se assim de uma obra em que é possível ter contato com a filosofia do autor direcionados pelo e para o campo literário. Alguns textos fluem e cativam, enquanto outros são arrastados e exigem muito do leitor - talvez um pouco de conhecimento prévio sobre o pensamento de Jean-Luc Nancy seja algo que facilite a romper com essa dificuldade encontrada em algumas tantas partes do livro. Não é uma excelente obra, assim como também não é ruim. Mediana é como pode melhor ser definida, contribuindo, de todo modo, como fonte para aqueles que pesquisam a filosofia de seu autor.