O beijo de Deus, traz mais de sessenta curtíssimos e densos contos da escritora paraibana Dôra Limeira. Publicado numa primeira edição em 2007, em João Pessoa, pela editora Manufatura, de Gerado Maciel, esgotou-se rapidamente, como todos os livros de Dôra. Em O beijo de Deus, Dôra Limeira traça, sem dó mas com implícita misericórdia, um inventário da dor cotidiana que não se vê sobre os palcos das grandes tragédias, mas infiltra-se nas vidas escondidas e na alma do leitor. Dôra Limeira passou a publicar ficção após aposentar-se como professora do departamento de História da UFPB e lançar-se em nova vida, pautada pela arte, passando pelo teatro e ancorando na literatura. Um de seus contos foi finalista do primeiro concurso Talentos da Maturidade, realizado em 2002 pelo então Banco Real, e publicado na coletânea do prêmio “Todas as Estações”. Seu primeiro livro de contos, Arquitetura de um Abandono (Ed. Manufatura, João Pessoa, 2003), recebeu o prêmio Revelação Literária 2003 pelos leitores do suplemento cultural Correio das Artes, do jornal A União, PB. Em seguida vieram Preces e orgasmos dos desvalidos (Ed. Manufatura, João Pessoa, 2005), a primeira edição esgotada de O beijo de Deus (Ed. Manufatura, João Pessoa, 2007), Os gemidos da rua (Ed. Manufatura, João Pessoa, 2009) e O Cancioneiro dos loucos (Ed. Idéia, João Pessoa, 2013). LATITUDES – título da coleção literária que tem curadoria de Maria Valéria Rezende, refere-se, sim, a paralelos e meridianos, a geografias, paisagens, diferentes pontos de vista a partir dos quais podemos perceber nossas várias facetas, e a tudo o mais que sua etimologia possa evocar – do latim, latitūdo,ĭnis ‘largura, extensão, amplidão’. Nasce de uma convicção: em todos os recantos do Brasil brota literatura de alta qualidade, nem sempre visível para todos nós, privilégio apenas daqueles que compartilham com os autores o mesmo e restrito espaço em que vivem e se publicam, mas que, voando com velozes asas digitais poderá enriquecer e alargar até suas verdadeiras dimensões aquilo que hoje se considera “a literatura brasileira”.


