Minha relação com o filme Starman é antiga. Começa em uma viagem em família, onde vi, num cinema de uma cidadezinha no interior de São Paulo, o filme em cartaz, que chamou-me a atenção pelo nome de super-herói (embora, na época, eu não soubesse que existe mesmo um super-herói chamado Starman, na DC Comics). Não vi o filme, porque estávamos de passagem, mas não deixei de admirar os cartazes e lobbycards (as fotos promocionais que era colocadas na entrada dos cinemas). Muitos anos depois, o filme foi exibido no Cinema em Casa do SBT e apaixonei-me pela história de amor entre o alienígena (Jeff Bridges) e uma terráquea (Karen Allen). Virou série de TV com outro ator (Robert Hayes), onde ele reencontra o filho adolescente (C. B. Barnes) e passam os episódios em busca da mãe. Quando encontrei esse livro sendo doado por um amigo, já me atirei nele e nem me incomodei que a capa estava rasgada (parecia atacada pelo Wolverine).
Trata-se de uma edição publicada em português de Portugal, publicada apenas na Europa, numa coleção repleta de novelizações de produções de cinema.
A história não envelhece. Convidado por uma mensagem enviada ao espaço na espaçonave Voyager, um alien vem ao nosso planeta e assume o corpo de um homem morto há um ano, tendo contato com a viúva, que nunca superou a morte do marido. O problema é que, para ele, é impossível manter-se naquele corpo por muito tempo e precisa voltar a determinado local, onde seus amigos virão buscá-lo para voltar ao seu planeta. Assim, o "homem das estrelas" atravessa os Estados Unidos fugindo dos federais, redescobre o amor e apresenta uma linda mensagem de paz e coletividade, com suas bolinhas metálicas luminosas.
Para quem já viu o filme, é possível reviver cada cena no pensamento, conforme as páginas se sucedem e o final escrito consegue ser mais comovente do que o filmado. Ou, talvez, eu é que estava mais sensível. Fato é que a leitura é emocionante e cheia de magia, tanto como se fosse conhecida pela primeira vez.