É o clássico livro que ganha Pulitzer por ser escrito de maneira difícil, ter leitura lenta, trabalhosa e, diga-se de passagem, chata. Os pseudo-intelectuais piram.
A ideia do livro era sensacional. Me interessei pela história da Guerra do Vietnã e todas as consequências do "pós-guerra". Me interessei pela crítica direta à idiotice americana. Mas o livro simplesmente foi mal executado. Primeiro, ele é maçante. Não chega a ser fluxo de consciência, mas parece. O narrador fica indo e voltando nas suas histórias, que às vezes são extremamente relevantes, e às vezes são passáveis (e na sua maioria, sem graça). Segundo, os capítulos são desnecessariamente longos, o livro se arrasta até suas 500 páginas.
E o mais importante: o escritor só coloca personagens femininas para serem objetos sexuais (ele até escreve uma frase sobre os seios da própria mãe). As únicas mulheres com falas são interesse amoroso do narrador (um grande eufemismo para "mulheres que ele quer comer"). A última personagem feminina a aparecer (SPOILER DAQUI PRA FRENTE) é uma agente infiltrada, tal qual ele mesmo, e que aparece aos 45 do segundo tempo só pra protagonizar uma cena longa, gráfica e detalhada de estupro coletivo com direito a tortura e garrafa de Coca-Cola inserida em locais não recomendados. Eu quase joguei o livro no lixo nessa cena. Existe uma diferença gritante entre escrever uma cena de estupro como denúncia, e colocar uma personagem na história aleatoriamente apenas para ela ser estuprada, detalhar o acontecimento, alongar o capítulo, e depois nunca mais falar sobre ela, ou sobre o ocorrido. O que se passa depois é o narrador falando de si mesmo (como em todo livro). Náusea.
Sinceramente, decepcionada, mas não surpresa.